Presidente da Comurb nega fraude em tarifa
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sexta-feira, 05 de maio de 2000
Lúcio Horta De Londrina 
O diretor-presidente da Companhia Municipal de Urbanização (Comurb), Gustavo dos Santos, assegurou ontem que não existe possibilidade de manipulação e fraude na planilha de custo que serve de base de cálculo para definir o preço da passagem do ônibus coletivo em Londrina. A planilha é realizada pela Comurb e com dados da própria companhia. A fiscalização existe e é bem feita, afirmou. Santos ponderou, no entanto, que está no cargo há apenas 40 dias e que não pode responder por períodos anteriores.
As denúncias de manipulação foram feitas anteontem pelo ex-diretor administrativo-financeiro da Comurb, Eduardo Alonso, ao promotor de Defesa do Consumidor, Hélio Cardoso. O Ministério Público abriu inquérito para investigar o caso. Segundo Alonso, a fraude ocorria porque não há controle da companhia sobre o número de passageiros que utilizam o transporte coletivo. Por causa disso, as planilhas eram elaboradas a partir de números fornecidos pelas próprias empresas.
Alonso apresentou ao promotor planilhas de dois períodos: maio de 1997 e abril de 1998. Para cada período, existiam duas planilhas, com números de passageiros diferentes o que sugere manipulação de dados. Essa situação não é usual. Mas quem pode responder sobre isso são os diretores da época, respondeu Santos. Ele destacou que em 98 não houve aumento, como informou Alonso; a tarifa de R$ 0,80 só foi adotada em janeiro do ano passado.
Ainda segundo o diretor-presidente da Comurb, em época de aumento de tarifa a companhia apenas elabora a planilha, a partir dos próprios dados. A decisão de conceder ou não o aumento é do prefeito municipal. Mas é enviada apenas uma planilha, a oficial, completou. Cópias de planilhas dos últimos aumentos estão sendo enviados para o Ministério Público.
Gustavo Santos afirmou ainda que atualmente, para fiscalizar o sistema de transporte público, a Comurb conta com 22 funcionários exclusivos, que trabalham em horários alternados. Eles fazem o controle de catracas no Terminal e na garagem das empresas. Com isso, seria possível saber o número exato de passageiros que estão utilizando o serviço média geral de 150 mil usuários por dia (considerando todos os dias da semana).
O diretor-presidente da Comurb negou também que Carlos Zavierucha, o Carlos Júnior, ex-membro do Conselho Administrativo da Comurb e apontado como tesoureiro das campanhas do prefeito Antonio Belinati (PFL), represente os interesses da Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL) dentro da companhia. A informação também foi dada por Eduardo Alonso.
O contato com as empresas é feito diretamente com seus diretores, afirmou Santos. A mesma resposta foi dada sobre Dante Belinati Guazzi, sobrinho do prefeito e que representaria interesses da Francovig.
O presidente da Comurb afirmou também que nunca ouviu falar que o prefeito Antonio Belinati receba uma caixinha de R$ 100 mil mensais das duas empresas que operam o transporte coletivo na cidade. Nunca ouvi falar disso. Não acredito que isso (pagamento de propina) possa ocorrer.
O prefeito Antonio Belinati foi procurado pela reportagem para comentar as acusações de Eduardo Alonso. A assessoria de imprensa respondeu que ele não foi encontrado para falar sobre o assunto.


