Curitiba - O deputado estadual Pedro Ivo Ilkiv (PT), presidente da Comissão de Ética e Decoro Parlamentar da Assembleia Legislativa, colocou ontem o cargo à disposição. O parlamentar é um dos 20 deputados estaduais cuja carteira de habilitação possui notificação de suspensão conforme divulgado no último domingo com exclusividade pela FOLHA. A Comissão deve analisar o pedido de cassação do deputado Fernando Ribas Carli Filho (PSB) que se envolveu em um acidente grave no último dia 7 e resultou na morte de dois jovens.
''Se os familiares das vítimas ou o presidente da Casa entenderem que minha participação está comprometida, deixo o cargo tranquilamente'', declarou. Ilkiv tem 16 pontos na carteira e uma notificação de suspensão direta por conta de uma infração gravíssima ocorrida em 2003. O parlamentar mantém o direito de dirigir porque recorreu ao Conselho Estadual de Trânsito (Cetran).
Para Gilmar Yared, pai de Gilmar Rafael Yared, 26 anos, morto no acidente que envolveu Carli Filho, não há razão para pedir a saída de Ilkiv. ''Temos confiança nele. É uma pessoa séria'', disse. Segundo Yared, cabe à sociedade cobrar para que os parlamentares com problemas na habilitação sejam punidos. ''Vejo que hoje há uma questão da impunidade que todos enfrentamos'', defendeu.
Para o advogado de Yared, Elias Mattar Assad, o caso de Carli Filho é único. ''Mas é importante que os parlamentares reflitam sua conduta. Que cumpram a lei, que acertem a vida com o Detran'', recomendou. Assad destacou que ''não se trata de uma caça às bruxas''. ''O caso é que a imprudência existe. Mas ela tem que ter limites'', apontou.
Outros três membros da Comissão também possuem notificação de suspensão. Stephanes Júnior (PMDB), que tem 55 pontos na carteira, questionou os dados divulgados pela FOLHA: ''São multas de toda minha vida como motorista. Foi um dado mal levantado''. As informações publicadas pela FOLHA foram fornecidas pelo Departamento de Trânsito (Detran).
Já Osmar Bertoldi (DEM) informou que os 24 pontos que possui na carteira são de responsabilidade de outras pessoas que utilizam seus veículos. ''Eu não dirijo. E também não acho que seja caso de demitir o funcionário que cometeu uma infração'', explicou. O deputado Ademar Traiano não conversou com reportagem.
Caso Carli Filho
O delegado de Delitos de Trânsito, Armando Braga, recebeu ontem o laudo do exame toxicológico realizado no sangue de Carli Filho. O exame não apontou vestígio de cocaína, ecstasy e anfetamina na amostra. O resultado dos laudos técnicos, no entanto, ainda não foram divulgados.
''Estamos aguardando as análises do Instituto de Criminalística'', informou Braga. Segundo o delegado, o deputado deverá ser ouvido só depois da conclusão do inquérito. ''Estamos investigando qual foi a rota seguida por ele na noite do acidente e queremos ter todas as informações antes de ouvi-lo'', adiantou.

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