Presidente da Comissão de Ética é investigado por crime eleitoral
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segunda-feira, 08 de maio de 2017
Loriane Comeli<br>Reportagem Local 

O vereador Gerson Araújo (PSDB) que é presidente da Comissão de Ética da Câmara Municipal de Londrina está sendo investigado por crime eleitoral supostamente praticado durante a campanha de 2016. Por requisição do promotor da 41ª Zona Eleitoral, Marcelo Briso Machado, a Polícia Federal (PF) instaurou inquérito que apura, em tese, o crime previsto no artigo 350 do Código Eleitoral: omitir, em documento público ou particular, declaração que dele devia constar ou nele inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que devia ser escrita, para fins eleitorais.
No final de janeiro, o promotor foi procurado por um publicitário que fez representação contra Gerson. Ele alegou que prestou serviços à campanha, no valor aproximado de R$ 35 mil, mas não recebeu o pagamento. E os serviços de publicidade não constam da prestação de contas apresentada pelo então candidato à Justiça Eleitoral nem como serviços pagos nem como doação.
No ofício à PF, com data de 5 de fevereiro, o promotor escreveu: "... excluindo-se a questão relativa ao inadimplemento do débito afirmado, temos provas contundentes de que tais serviços foram de fato prestados em favor da candidatura, mas omitidos na prestação de contas do candidato quer a título de despesa, quer a título de doação estimável em dinheiro".
O advogado Maurício Carneiro, contratado pelo publicitário para efetuar a cobrança, disse que seu cliente lhe apresentou "vários documentos que comprovam a prestação dos serviços". Entre eles, haveria filmagens da presença do vereador no escritório do publicitário, já que se trata de edifício onde a entrada somente é permitida com o registro do visitante e áudios de várias conversas nas quais o serviço teria sido contratado e executado. "Não há qualquer dificuldade em provar que o serviço foi contratado e prestado, mesmo que não tenha sido declarado na prestação de contas", disse o advogado.
À FOLHA, o promotor Marcelo Briso explicou que após a conclusão da investigação pela PF, ele poderá oferecer denúncia contra o vereador, se o crime ficar demonstrado; solicitar o arquivamento, caso não haja comprovação; ou a complementação do inquérito, com novas diligências. O promotor disse, ainda, que como os prazos eleitorais são exíguos, a PF costuma dar prioridade nas investigações.
VIDA PREGRESSA
O vereador Gerson Araújo disse ontem que desconhecia a investigação e preferia não se manifestar até ter conhecimento integral dos fatos. Além do inquérito, ele responde a duas ações uma por improbidade administrativa, na 1ª Vara da Fazenda Pública, e outra penal, que tramita na 2ª Vara Criminal, acusado de falsidade ideológica e de estelionato. Ambas se referem a fato ocorrido enquanto exerceu mandato tampão na Prefeitura de Londrina, no último trimestre de 2012, após a cassação do ex-prefeito Barbosa Neto e da renúncia do ex-vice-prefeito Joaquim Ribeiro.
Segundo as duas ações, na condição de prefeito, juntamente com seu então chefe de Gabinete, William Polaquini Godoy, Gerson teria feito declarações falsas para pressionar antigos proprietários a venderem um terreno localizado na Avenida Henrique Manzano (zona norte) para a Construtora Iguaçu do Brasil, empresa que deu calote em centenas de clientes e que também jamais pagou a proprietária. Em entrevistas anteriores, o vereador negou qualquer ato ilícito e disse que não conhecia qualquer representante da Iguaçu do Brasil.
Godoy não trabalha mais no gabinete de Gerson, mas, conseguiu cargo comissionado na administração tucana do governador Beto Richa. Segundo o Portal da Transparência, ele está lotado no Hospital Dr. Anísio Figueiredo, o Hospital da Zona Norte. Godoy, em sua defesa, também nega qualquer ilicitude.
O processo que tramita na 1ª Vara da Fazenda Pública terá as audiências para depoimento das testemunhas nos dias 30 e 31 de maio e 1º de junho. Na esfera penal, uma primeira audiência foi realizada em outubro do ano passado e a próxima será no dia 26 de junho.


