Presidente da Cohab diz estar chocado com atitude de Micheleti
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segunda-feira, 31 de março de 1997
Patrícia Zanin Da Redação 
O presidente da Cohab (Companhia de Habitação de Londrina), José Caetano Perri, disse ontem estar indignado com as declarações do deputado federal e ex-presidente da Cohab, Nedson Micheleti, que defende o afastamento de toda a diretoria da Companhia. A atitude dele me assusta, disse Perri, que amanhã será ouvido na Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Câmara. A CEI investiga denúncia de irregularidades administrativas na Cohab.
Micheleti prega o afastamento da diretoria sob o argumento de que ela está enfraquecida em virtude da execução de um projeto-piloto executado sem licitação no conjunto Ilda Mandarino, zona norte, que só se tornou público depois da instalação da CEI. Perri alega que a diretoria não tem nada a esconder e só não divulgou o projeto antes porque pretendia fazê-lo, com festa, quando as casas estivessem prontas.
Perri negou ter beneficiado a construtora Grande Piso, de Foz do Iguaçu, responsável pelo projeto. Ele alegou ter recebido a visita de outros dois representantes de construtoras, mas disse que a Grande Piso foi a única que se propôs ao desenvolver um projeto sem custo para o município. O prefeito foi avisado e o projeto consta nas atas da Cohab. Além do mais, a custo zero nós não temos que licitar nada.
O relator da CEI, vereador Antenor Ribeiro (PPB), considerou precipitadas as declarações de Micheleti. A diretoria não está sendo acusada, não está no banco dos réus. No meu modo de entender, estaríamos fazendo um pré-julgamento ao concordar com o afastamento.
Ontem, Ribeiro apresentou um requerimento pedindo explicações à diretoria da Cohab e a Micheleti sobre um comunicado emitido em setembro do ano passado aos moradores de seis conjuntos habitacionais sobre mudanças no pagamento de prestação. O documento recomenda que cada mutuário aguarde a convocação individual da Cohab. Ele foi assinado pelo ex-presidente, Wilson Sella, e tem como uma das fontes de informação o deputado Nedson Micheleti.
Perri admitiu ter ignorado o Conselho Municipal de Habitação que, para ele, não existe legalmente. Seu argumento é que a lei 5.526, de 6 de setembro de 1993, que cria o Conselho, define também a criação do Fundo Municipal de Habitação - Fundo que deve ter dotação orçamentária. Se o Fundo não foi legalmente constituído e está atrelado ao Conselho, a lei não tem validade.
Um dos integrantes do Conselho, Denilson Pestana, disse ontem que se houve erro da administração anterior em não criar o Fundo de Habitação, cabe à nova administração lutar para corrigi-lo. Somente ignorar o Conselho é fugir do problema. Se o projeto tivesse sido aprovado pelos conselheiros, o presidente da Cohab iria dividir responsabilidades com a gente num momento desses, argumenta.


