O presidente da Cohab (Companhia de Habitação de Londrina), José Caetano Perri, disse ontem estar indignado com as declarações do deputado federal e ex-presidente da Cohab, Nedson Micheleti, que defende o afastamento de toda a diretoria da Companhia. ‘‘A atitude dele me assusta’’, disse Perri, que amanhã será ouvido na Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Câmara. A CEI investiga denúncia de irregularidades administrativas na Cohab.
Micheleti prega o afastamento da diretoria sob o argumento de que ela está enfraquecida em virtude da execução de um projeto-piloto executado sem licitação no conjunto Ilda Mandarino, zona norte, que só se tornou público depois da instalação da CEI. Perri alega que a diretoria não tem nada a esconder e só não divulgou o projeto antes porque pretendia fazê-lo, com festa, quando as casas estivessem prontas.
Perri negou ter beneficiado a construtora Grande Piso, de Foz do Iguaçu, responsável pelo projeto. Ele alegou ter recebido a visita de outros dois representantes de construtoras, mas disse que a Grande Piso foi a única que se propôs ao desenvolver um projeto sem custo para o município. ‘‘O prefeito foi avisado e o projeto consta nas atas da Cohab. Além do mais, a custo zero nós não temos que licitar nada’’.
O relator da CEI, vereador Antenor Ribeiro (PPB), considerou ‘‘precipitadas’’ as declarações de Micheleti. ‘‘A diretoria não está sendo acusada, não está no banco dos réus. No meu modo de entender, estaríamos fazendo um pré-julgamento ao concordar com o afastamento’’.
Ontem, Ribeiro apresentou um requerimento pedindo explicações à diretoria da Cohab e a Micheleti sobre um comunicado emitido em setembro do ano passado aos moradores de seis conjuntos habitacionais sobre mudanças no pagamento de prestação. O documento recomenda que cada mutuário aguarde a convocação individual da Cohab. Ele foi assinado pelo ex-presidente, Wilson Sella, e tem como uma das fontes de informação o deputado Nedson Micheleti.
Perri admitiu ter ignorado o Conselho Municipal de Habitação que, para ele, não existe legalmente. Seu argumento é que a lei 5.526, de 6 de setembro de 1993, que cria o Conselho, define também a criação do Fundo Municipal de Habitação - Fundo que deve ter dotação orçamentária. ‘‘Se o Fundo não foi legalmente constituído e está atrelado ao Conselho, a lei não tem validade’’.
Um dos integrantes do Conselho, Denilson Pestana, disse ontem que se houve ‘‘erro da administração anterior em não criar o Fundo de Habitação, cabe à nova administração lutar para corrigi-lo’’. ‘‘Somente ignorar o Conselho é fugir do problema. Se o projeto tivesse sido aprovado pelos conselheiros, o presidente da Cohab iria dividir responsabilidades com a gente num momento desses’’, argumenta.

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