Presidente da CMTU e mulher são indiciados
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quarta-feira, 22 de junho de 2011
Loriane Comeli <br>Reportagem Local 
O delegado do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), Alan Flore, que atua em parceria com o Ministério Público, indiciou o presidente da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), André Nadai, e sua esposa, Cristiane Hasegawa, que é diretora administrativo-financeira da companhia, pelo crime de falsidade ideológica.
Nadai, conforme declarou à FOLHA, ''por decisão própria'', registrou, em escritura pública, o apartamento que comprou com Cristiane em agosto do ano passado, por R$ 170 mil, mas pagou pelo imóvel o preço de R$ 330 mil. Com isso, ele deixou de recolher R$ 3,2 mil de Imposto sobre Transferência de Bens Imóveis (ITBI). Quando começou a ser investigado, o presidente da CMTU recolheu o imposto que faltava, em 3 de junho. Com isso, Nadai se livrou de responder pelo crime de sonegação fiscal, já que a lei prevê que fica extinta a punibilidade em caso de pagamento do valor devido. Crimes relacionados, como a falsificação da escritura, também não são punidos se o único objetivo for a sonegação.
Porém, o delegado Alan Flore entendeu que a falsificação da escritura não teve fim específico de sonegar. ''Entendemos que havia outros interesses com a falsidade ideológica, como ocultar patrimônio ou mesmo improbidade administrativa, através do enriquecimento ilícito'', declarou o delegado. ''Não temos certeza quanto à licitude dos recursos (utilizados na compra do apartamento).''
Nadai e Cristiane foram intimados a comparecer no Gaeco na segunda-feira, quando devem ser qualificados. A investigação que culminou com o indiciamento começou com a operação Antissepsia, para apurar desvios na Saúde. Policiais cumpriram mandado de busca e apreensão na casa do presidente da CMTU quando encontraram documentos que apontavam para a compra - por dois dos investigados - de uma empresa que atuaria na área de chorume. A transação foi cancelada quando a operação foi deflagrada.
O advogado de Nadai, Walter Bittar, protocolou habeas corpus para trancar o inquérito sobre sonegação fiscal, argumentando que com o pagamento do tributo devido não havia crime a ser investigado. O delegado Alan Flore tem prazo até segunda-feira para responder à juíza da 3 Vara Criminal, Oneide Negrão.


