O presidente da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Gabriel Ribeiro de Campos, defendeu ontem na Câmara de Vereadores a doação de um terreno de 12 mil metros quadrados à empresa Hayonik Indústria e Comércio de Produtos Eletrônicos Ltda. A Polícia Federal apurou que três cheques depositados na conta pessoal do ex-coordenador de campanha do PT, Augusto Ermétio Dias Junior, foram emitidos pela esposa do proprietário da empresa, Nilda Hayama.
Campos falou na condição de ex-presidente da Companhia de Desenvolvimento de Londrina (Codel), que ano passado recebeu da Hayonik o pedido de doação da área onde seria construída a sede da empresa. Campos disse ter recebido ''com muita surpresa'' a notícia de que a doação seria investigada pela Polícia Federal (PF). Campos insinuou que a exposição do nome da empresa teria sido precipitada, além de supostamente comprometer novos investimentos em Londrina. ''A empresa construiu uma obra magnífica em uma área que estava vazia havia muitos anos. A lei de incentivo foi cumprida à risca'', defendeu, garantindo, taxativo, que ''nenhuma doação foi feita como contrapartida a doações para a campanha (pela reeleição de Nedson Micheleti)''.
Para Campos, se houve irregularidade na doação à campanha ela deve ser investigada. ''Os empresários assumiram um compromisso de gerar empregos e cumpriram. Se houve qualquer doação irregular, com certeza isso tem que ser investigado mesmo'', completou.
O pronunciamento de Campos foi bem recebido pela base aliada. O presidente da Casa, Orlando Bonilha (PL) pediu que a imprensa ajudasse a ''erguer a auto-estima de Londrina''. ''Tomara Deus que não se estenda por mais 60 dias esse inquérito, senão Londrina vai ficar refém de adversários políticos e pessoas mal intencionadas'', disse, encontrando coro no petista Gláudio Renato de Lima, cumprimentado por Sidney de Souza (PTB) como o ''líder de fato'' do Executivo na Casa.
Lima deixou a função há cerca de dois meses, ocupada agora por Lourival Germano (que ontem não compareceu à sessão). Marcelo Belinati Martins (PP) mudou o rumo da discussão. ''Nossa função é fiscalizar o Executivo, e se essa doação foi feita em ano eleitoral e esses cheques foram localizados na conta, não podemos nos furtar disso'', recomendou.

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