Presidente da CEF critica relatório da CPI dos Bingos
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sexta-feira, 20 de janeiro de 2006
Fábio Galão<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O presidente da Caixa Econômica Federal, Jorge Mattoso, classificou ontem o relatório parcial sobre o caso GTech da CPI dos Bingos como ''político-eleitoreiro''. ''Esse relatório não representa o que a maioria do Congresso Nacional pensa. Parece que algumas pessoas têm inveja das realizações que a Caixa atingiu nos últimos anos'', afirmou Mattoso.
No documento, apresentado anteontem pelo relator, senador Garibaldi Alves (PMDB-RN), a CPI pede os indiciamentos de três empresas e 34 pessoas, incluindo Mattoso e Ademirson Ariovaldo da Silva, assessor do ministro da Fazenda, Antonio Palocci. O relatório aponta que teriam ocorrido negociação e pagamento de propina para renovação do contrato da multinacional GTech com a Caixa em 2003 para a exploração de loterias.
Segundo o documento, teriam sido pagos ainda, entre 1997 e 2004, R$ 556 milhões a mais do que o devido. Mattoso negou as irregularidades. E argumentou que a Caixa ''nunca perdeu o controle'' na relação com a GTech. ''Os deputados precisam se informar melhor'', disse o presidente da Caixa. Mattoso citou que desde o ano passado a transição na exploração de loterias está em andamento. ''O processo de licitação está em curso. Isso é público, notório'', afirmou.
Mattoso esteve ontem em Curitiba. Ele e o governador Roberto Requião (PMDB) assinaram convênio que transfere o pagamento dos empregados da Sanepar para a Caixa e protocolos de intenção para parceria em patrocínio de eventos. O governo estadual já havia transferido para o banco as contas da Paraná Previdência, da Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar) e das universidades estaduais. As contas dos outros servidores estaduais foram transferidas para o Banco do Brasil.
Requião alegou que está cumprindo a promessa de passar para bancos públicos as contas dos funcionários estaduais. ''Conta pública tem que ficar em banco público. Isso está na Constituição Federal. O processo de privatização do Banestado só não foi mais escandaloso do que a venda do Bamerindus, que foi quebrado pela imprensa'', disse o governador. A transferência das contas para a Caixa prevê parcerias com mais financiamentos para os órgãos estaduais envolvidos.


