Presidente da Câmara de Foz sofre atentado
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segunda-feira, 24 de fevereiro de 2003
Alexandre Palmar<br> Equipe da Folha 
Foz do Iguaçu O presidente da Câmara Municipal de Foz do Iguaçu, Adilson Rabelo (PSB), de 46 anos, sofreu um atentado ontem no centro de cidade. O vereador levou dois tiros na cabeça, disparados pelo carona de uma moto. O estado de saúde de Rabelo era grave até o fechamento desta edição. A lista de suspeitas inclui suposta motivação política.
Eleito com 1.781 votos pelo PPB, a maior votação no último pleito municipal, Rabelo viu o leque de adversários políticos aumentar desde dezembro, quando derrotou a chapa governista na eleição da Mesa Diretora numa sessão tumultuada. Anteontem, ocorreu um novo capítulo da disputa com a eleição das comissões permanentes.
A pedido do governador Roberto Requião (PMDB), o delegado-geral da Polícia Civil no Paraná, Adauto Abreu de Oliveira, viajou de Curitiba para Foz com uma equipe especial de peritos e investigadores. A Polícia Federal acompanha o caso, mas deve entrar na investigação somente se aparecerem ''fortes'' pistas de conotação política.
Rabelo foi baleado por volta das 10 horas, após sair de uma audiência pública de prestação das contas da administração municipal, realizada no Hotel Bella Itália. Depois de receber uma ligação no telefone celular, ele abandonou o encontro e saiu num Escort SW, conduzido pelo seu assessor Edilson Soares. O assessor saiu ileso do atentado.
O crime foi cometido a menos de 500 metros do Hotel Bella Itália, na Avenida República Argentina, por uma dupla numa moto Titan verde. Ambos estavam com capacetes e um deles vestia camiseta amarela e calça jeans. Os disparos, efetuados pelo homem que estava na garupa, eram de pistola 7,65 mm.
Uma bala atingiu o lado direito e outro a região frontal do crânio do vereador e ambas perfuraram a cabeça, saindo pelo lado inverso. Houve perda de massa encefálica. O assessor levou Rabelo ao pronto-socorro da Santa Casa Monsenhor Guilherme, onde a vítima passou por uma cirurgia de quase duas horas e meia, que foi conduzida por uma equipe de três neurocirurgiães. Ele passou a tarde em coma induzido.
Para o promotor Luiz Francisco Barletta Marchioratto, que investiga recentes polêmicas geradas na Câmara Municipal, a questão básica a ser apurada é saber se existem pessoas interessadas em matar o vereador. ''Não pode ser descartada a motivação política porque vinha acontecendo um processo político na cidade onde o Rabelo era peça central'', disse o promotor.


