São Paulo - O presidente da Caixa Econômica Federal, Emílio Carrazai, não resistiu à crise política aberta pela saída do PFL da base governista e ontem pediu demissão do cargo. Carrazai ainda tentou se manter à frente da Caixa, mas não resistiu às pressões do partido. Ele passou três anos e dois meses no cargo.
Carrazai foi pressionado a se demitir porque, apesar de ser um técnico, sua indicação para a presidência da Caixa foi política. Ele conseguiu o posto por intervenção do vice-presidente da República, Marco Maciel (PFL-AL).
Durante a última semana, a Executiva Nacional do PFL decidiu romper com o PSDB por causa da investigação feita pelo Ministério Público e pela Polícia Federal em empresa da governadora do Maranhão, Roseana Sarney.
A Executiva Nacional do PFL entendeu que houve ‘‘perseguição’’ e anunciou uma determinação clara: todos os pefelistas que tinham postos no governo federal deveriam pedir demissão. A medida atingiu desde ministros até funcionários com cargos de confiança em autarquias e órgãos federais.
Entre os pefelistas mais graduados, apenas dois tornaram pública sua intenção de continuar no governo: o secretário da Receita Federal, Everardo Maciel, e o próprio presidente da Caixa. Os dois foram indicados pelo vice-presidente.
Carazzai divulgou nota ontem, falando sobre seu pedido de demissão. No documento, informa que encaminhou pedido ontem ao ministro da Fazenda, Pedro Malan, e o fez atendendo a apelo do vice-presidente, por quem diz ter enorme respeito e antiga amizade. ‘‘Por lealdade, revejo minha decisão de continuar no cargo que ocupei, durante três anos, com espírito público e total dedicação.’’
Com a demissão de Carrazai, Everardo Maciel passa a ser o único homem ligado ao PFL que ainda resiste à crise e se mantém no governo. Malan já disse que gostaria que Maciel continuasse. O presidente do PFL, Jorge Bornhausen, afirmou que este deve ser o único caso em que não será exigida a entrega do cargo.

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