Curitiba - O presidente da Assembléia Legislativa, Hermas Brandão (PSDB), recomendou ontem mais cautela para os deputados que integram a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga irregularidades no Banestado. Brandão não concordou com a decisão da CPI de pedir ao Banco Central a quebra do sigilo bancário das construtoras DM e Rodoférrea antes de ouvir os proprietários das empresas. Segundo um relatório apresentado pelo presidente da CPI, Neivo Beraldin (PDT), a DM e a Rodoférrea teriam sido beneficiadas com empréstimos concedidos pelo Banestado sem a garantia exigida.
Para Brandão, a CPI deveria ter ouvido antes da quebra do sigilo o empresário Darci Fantin, pai dos controladores da DM e da Rodoférrea, que já havia manifestado o desejo de prestar depoimento aos deputados. O presidente da Assembléia manifestou sua opinião durante a reunião da CPI ontem, que aconteceu no gabinete da presidência da Casa. ''Expus a minha opinião pessoal, o que não se caracteriza como uma interferência no trabalho da CPI, que é autônoma e age como melhor lhe aprouver. O Darci Fantin me procurou, pedindo para depor, e eu acredito que todos devem ter direito a ampla defesa'', comentou Brandão.
Após a intervenção do tucano, os deputados da CPI decidiram agendar uma data com Fantin para que o empresário preste seus esclarecimentos. Os deputados também decidiram convocar nove ex-diretores do Banestado para a próxima segunda-feira, para obter mais informações sobre os critérios utilizados nos empréstimos feitos pelo banco.
Brandão também ressaltou a necessidade da CPI utilizar técnicos da própria Casa ou de órgãos do poder público para realizar seus trabalhos. No início dos trabalhos, vários trabalhos foram conduzidos por técnicos contratados por Beraldin, o que foi proibido por uma resolução emitida pelo presidente da Assembléia. A Folha tentou contato com Beraldin, mas não obteve retorno.

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