Presidente da Assembléia estuda mudança na venda
O presidente da Assembléia Legislativa, Hermas Brandão, (PTB) afirmou ontem em Santo Antônio da Platina (Norte Pioneiro do Paraná) que está estudando a possibilidade de propor a manutenção sob o controle do Estado do setor de geração de energia da Copel. Temos que avaliar a viabilidade técnica da idéia, mas o governo poderia manter o setor de geração de energia e vender as áreas de transmissão e de distribuição, disse.
A afirmação do presidente da Assembléia pode representar um novo rumo no processo da privatização da empresa, já que até agora o governo vem sustentando a intenção de vender toda a companhia. Brandão ressaltou que não existem estudos técnicos sobre a proposta, mas afirmou que a manutenção da geração de energia impede a ocorrência de problemas nos setores estratégicos.
A posição de Hermas Brandão não teve repercussão favorável junto a outros deputados. Orlando Pessuti (PMDB) foi procurado pela Folha para falar sobre a declaração do presidente da Assembléia e permaneceu irredutível na linha da bancada da oposição. Continuo defendendo que a Copel permaneça nas mãos do Estado. Tanto geração quanto distribuição. Não gostei dessa história de privatizar em partes. Já o deputado Duílio Genari (PPB), da base governista, é favorável à venda completa da empresa. O projeto inicial de privatização da Copel é meu. Sempre fui a favor da privatização de qualquer empresa pública - declarou.
Apesar de admitir a possível proposta de manter a geração de energia da Copel, Hermas Brandão sustentou que o governo precisa vender a companhia para retomar os investimentos em programas estaduais. Disse também que suas declarações sobre a intenção da venda, por causa da situação financeira do Estado, são relacionadas aos custos com os pagamentos de servidores inativos. Não temos um rombo, mas a capacidade de investimentos do governo está inviabilizada por causa do pagamento mensal da folha de pagamentos dos inativos, alegou. E defendeu que a privatização da empresa é necessária para a capitalização do Paraná Previdência.
O presidente da Assembléia disse ainda que, pelo lucro de R$ 430 milhões da Copel no ano passado,não se justifica sua manutenção com o Estado. Segundo ele, o governo fica com um terço desse lucro, o que equivale a R$ 130 milhões. Esses recursos não são suficientes para o pagamento das despesas dos inativos, afirmou. (Colaborou Maria Duarte, de Curitiba)





