Curitiba - O candidato a vice na chapa pela reeleição do governador Roberto Requião (PMDB), o presidente da Assembléia Legislativa, Hermas Brandão (PSDB), prepara uma briga na Justiça para se manter na chapa. Como o presidente nacional do PSDB, senador Tasso Jereissati, baixou uma resolução anulando a aliança PSDB-PMDB no Paraná, Brandão precisa correr contra o tempo para garantir o espaço. No dia 5 de julho vence o prazo dado pela Justiça Eleitoral para o registro de candidaturas.
A madrugada e a manhã de sábado foram movimentadas no cenário político do Paraná. O presidente estadual do PSDB, deputado Valdir Rossoni, que é da ala contrária à de Brandão e prefere apoiar Osmar Dias, estava indignado com a corrente tucana adversária, de buscar o respaldo da Justiça para apreender uma cópia da ata da convenção. ''A ata ainda não está pronta. E eles que fiquem tranquilos porque a ata será elaborada de maneira totalmente fiel ao que aconteceu na convenção'', disse Rossoni à Folha, ontem pela manhã. ''Isso é uma precipitação de quem não sabe perder'', emendou Rossoni, sobre a busca à ata do PSDB.
A convenção do PSDB foi na noite de quinta-feira e oficializou a coligação PMDB-PSDB, com Brandão de vice. Mas poucas horas depois Jereissati baixou a resolução anulando esse acerto porque ele vai contra as diretrizes na executiva nacional do partido, que tem Geraldo Alckmin como candidato a presidente. E Alckmin precisa de palanque no Paraná. Segundo a resolução de Jereissati, fica ''anulada a celebração de coligação entre PSDB e PMDB''.
A executiva nacional já determinava que todas as convenções estaduais precisariam respeitar as diretrizes da cúpula nacional. De acordo com o presidente estadual do partido, a decisão aconteceu porque a executiva nacional entendeu que essa coligação ''não atendia'' aos interesses da campanha do candidato tucano à presidência.
Requião esteve na Boca Maldita (centro de Curitiba) pela manhã, num evento do partido. O governador disse que continua considerando Brandão como seu vice e que, se a Justiça anular a aliança PMDB-PSDB, será então lançada chapa pura do PMDB. Requião afirmou ainda que continua esperando para conhecer as propostas de Alckmin e do presidente Lula (PT). Quanto à disputa no Paraná, avisou que está confiante numa vitória já no primeiro turno.
O secretário-geral do PMDB, Luiz Cláudio Romanelli, confirmou ontem que na ata do PMDB foi lavrada definindo a coligação com os tucanos. Romanelli aposta que a resolução de Jereissati será revertida na Justiça. ''Não há fundamentação, não há suporte legal para essa decisão da executiva nacional do PSDB. A convenção é soberana e foi feita de maneira democrática'', declarou Romanelli.

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