Presidente da AL diz estar indignado com operação do Gaeco
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segunda-feira, 10 de maio de 2010
Catarina Scortecci<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O presidente da Assembleia Legislativa (AL) do Paraná, Nelson Justus (DEM), fez um discurso ontem no plenário para criticar a Operação Ectoplasma II, do Grupo Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público (MP) do Paraná, que resultou, entre outras coisas, na busca e apreensão de documentos dentro da AL, no sábado último. Justus disse que a operação causou a ele ''um misto de espanto e indignação'', já que a AL estaria colaborando com as investigações. Ele também disse que ''foram constatados excessos'' por parte da equipe do ''tal Gaeco''. Segundo Justus, houve ''tratamento grosseiro'' e ''constantes ameaças de prisão'' a funcionários da Casa, além de ''confisco de documentos que não constavam no mandado de busca e apreensão''. Ele também criticou a prisão do diretor da gráfica, Luis Monteiro, que foi liberado pelo Gaeco depois de prestar depoimento: ''Por que prendê-lo e soltá-lo em seguida? São tempos de terror''.
Justus também questionou a legalidade das apreensões devido ao despacho do desembargador Ivan Bortoleto, que limitou ao MP o acesso a dados financeiros dos funcionários do Legislativo, atendendo a um pedido do Sindicato dos Servidores da Assembleia Legislativa do Estado do Paraná. O despacho é do último dia 26. Justus disse que a decisão do desembargador Bortoleto deveria ter limitado as apreensões feitas no sábado, permitidas via mandado de segurança assinado pelo juiz substituto Aldemar Sternadt. ''Qual dessas decisões é ilegal e arbitrária? Pelo pouco que entendo, a decisão do desembargador deveria valer mais do que a do juiz reserva'', disse Justus, acrescentando que a Casa tomará medidas na esfera do Judiciário. Ele também informou que pediu apoio ao governador do Paraná, Orlando Pessuti (PMDB), para que tome ''medidas enérgicas'' contra o que ele considera ''um abuso''.
''São tantos os documentos apreendidos que agora estamos com dificuldade de recomeçar nossas atividades normais'', continuou ele. Justus sustenta que foram apreendidos documentos relativos ao processo de recadastramento dos funcionários, ainda em andamento, mas que o deputado estadual Durval Amaral (DEM), ''por sorte'', teria cópia dos dados.
As buscas na AL, segundo relatório da diretoria geral da Casa, teriam começado às 8h30 e terminado às 17h30. O relatório aponta ainda a apreensão de 33 caixas de documentos de admissão de comissionados retirados da Diretoria de Pessoal; dez caixas de documentos da Diretoria Financeira; 16 caixas de documentos com processos de contratação de comissionados desde 1997, retirados do Departamento de Recursos Humanos; e 29 caixas com atos da Comissão Executiva da Casa, de 1984 a 2009, retirados da Coordenadora da Gráfica, além de computadores e um DVD com todo o banco de dados do setor.


