Curitiba – O presidente da Assembleia Legislativa (AL) do Paraná, Ademar Traiano (PSDB), descartou ontem aderir à mobilização nacional que pede a redução dos salários dos parlamentares. Hoje os 54 deputados estaduais recebem R$ 25,32 mil mensais, mais R$ 78,5 mil para contratar comissionados e R$ 31,47 mil de verbas de ressarcimento, que podem ser gastos em combustíveis, locação de imóveis, assinatura de jornais e outros insumos. A ideia de corte surgiu a partir de um ato realizado na Câmara Municipal de Santo Antônio da Platina, em julho deste ano, e se espalhou pelo País, por meio das redes sociais. Já houve manifestações semelhantes em Jacarezinho e Curitiba.
"Eu devo dizer que não me envergonho em ser parlamentar. Tenho uma vida pública de 31 anos, com dedicação exclusiva. Faço dela um verdadeiro sacerdócio a serviço da minha região. Acho que mereço o que ganho", afirmou. O tucano lembrou que, conforme a Constituição Federal, os subsídios dos membros da AL correspondem a 75% da remuneração dos parlamentares em Brasília. Apesar de o teto não ser "obrigatório", há sete anos a Casa aprovou a lei estadual 15.433, que tornou automático o aumento para os seus integrantes, sempre que houver alteração nos salários dos congressistas. O último reajuste, de 26,35%, aconteceu em janeiro, e foi autorizado pelo então presidente, Valdir Rossoni (PSDB).
Questionado sobre o fato de o Legislativo realizar sessões deliberativas em três dias na semana, dispensando as presenças nas demais datas, Traiano argumentou que a vida de um deputado não se restringe ao plenário. Ele também reiterou que os parlamentares têm a obrigação de comparecer às votações, porém, podem se ausentar em alguns momentos, para atender prefeitos e representantes de organizações sociais, entre outros convidados. "Não há necessidade de estarem todos no momento da abertura (da sessão), mas na continuidade, eles vêm."
Tanto o líder do Governo, Luiz Cláudio Romanelli (PMDB), como o da oposição, Tadeu Veneri (PT), também se mostraram reticentes às mudanças, ainda que por motivos distintos. O peemedebista argumentou que a redução significaria a retomada da plutocracia, sistema político no qual o poder é exercido pelo grupo mais rico. "Entendo que qualquer exagero tenha que ser combatido, mas a remuneração tem de ser adequada à realidade das pessoas que exercem funções públicas", disse, acrescentando que, ao se eleger, o deputado se afasta da atividade profissional que exercia antes.
Já para o petista, embora saudável, a manifestação é populista. "Não posso conceber que um vereador de uma cidade como Curitiba ganhe R$ 1 mil. Nem a pessoa que propõe iria se dispor." Em contrapartida, ele sugeriu que a Casa retome o debate em torno da redução do repasse aos demais poderes. "Já propusemos diminuir de 5% para 4%, ou seja, de R$ 1 bilhão para cerca de R$ 700 milhões. E o mesmo no Judiciário. Posso extinguir o auxílio-moradia dos juízes, mas se eu não reduzir (o repasse), aquele recurso será usado de outra forma."

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