Presidente culpa Congresso pela política dos juros altos
Isabel Braga
Agência Estado
Do Rio de Janeiro
O presidente Fernando Henrique Cardoso responsabilizou ontem o Congresso pela manutenção da política dos juros altos no País. Segundo ele, o governo teve de manter as taxas altas porque não foi capaz de convencer o Congresso e a sociedade de que as reformas constitucionais não eram exigência externa ou implicância do presidente da República, mas condição necessária para crescimento com prosperidade e com inflação baixa.
Fernando Henrique disse que o déficit da Previdência pública e privada, incluindo o dos Estados, fica entre R$ 50 bilhões e R$ 60 bilhões, e este foi o custo da falta de coragem de fazer uma reforma correta da Previdência Social. As críticas ao Congresso foram feitas ontem, na abertura da 33ª Convenção Nacional de Supermercados (leia sobre o assunto em Folha Economia) e criou uma reação imediata dos principais líderes no Congresso
Em Brasília, os presidentes do Congresso, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), e da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), defenderam a atuação do Legislativo e devolveram as acusações. Segundo eles, o Congresso não vota porque o governo não se empenha.
FHC ouviu críticas feitas pelos presidentes da Asssociação Brasileira de Supermercados (Abras), José Humberto Pires de Araújo, e do Conselho de Administração da Gazeta Mercantil, Herbert Levy, à política de juros altos e à não-aprovação da reforma tributária.
Com pesquisas apontando uma queda ainda maior na popularidade e na tentativa de reafirmar a autoridade, Fernando Henrique criticou a demora na aprovação da reforma tributária, afirmando que há cinco anos pede ao Congresso o óbvio. A indecisão não é do presidente da República, é de quem posterga, de quem não vota, de quem adia, de quem não aparece, não comparece, de quem tem medo de votar, afirmou.
Ele lembrou que, no início do primeiro mandato, reuniu as bancadas dos partidos aliados para mostrar a importância da reforma previdenciária e o Congresso demorou mais de quatro anos para aprovar uma versão tímida porque barrou a exigência da idade mínima para a aposentadoria.
Fernando Henrique voltou a dizer que acredita que, em 2000, o Brasil terá juros nominais de 13,5%, uma inflação máxima de 6% ao ano e um piso de crescimento econômico de 4%. Para, nos outros anos, ultrapassarmos os 5%, condição necessária para o Brasil respirar mais confiante, seguro, feliz. FHC destacou os avanços positivos da estabilidade econômica, que permitiu a incorporação de 11 milhões de brasileiros ao mercado de consumo.
É o bolso do povo que precisa da estabilidade, disse Fernando Henrique. Fomos encontrar forças na compreensão do consumidor e na ação enérgica dos supermercadistas que se recusaram a servir de ponte para especulações descabidas, ponderou. No encerramento, agradeceu: Obrigado por terem lutado pelo Brasil.Reforma tributária não sai porque eles não comparecem e têm medo de votar
Antonio Scorza/France PresseCULPAFernando Henrique: A indecisão não é do presidente da República, com relação à necessidade do avanço das reformas





