Presidente critica FMI por exigir mais cortes
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terça-feira, 23 de março de 1999
Agência Estado 
O presidente Fernando Henrique criticou, indiretamente, o Fundo Monetário Internacional (FMI), durante discurso a empresários na Confederação Nacional da Indústria (CNI), por exigir mais cortes em despesas do governo brasileiro para a concessão dos empréstimos. Muita gente que fala em cortar mais não sei quantos pontos do Produto Interno Bruto (PIB) nunca sentou responsavelmente numa cadeira para tomar decisões e não sabe que as decisões afetam o povo, argumentou o presidente.
Quando afeta o povo, é mais doença, mais mortalidade infantil, e mais dificuldades para o povo e há limites para isso. Fernando Henrique avisou ao FMI que o governo cumprirá a meta de criar um superávit de 3% do PIB porque o Congresso deu condições para isto, mas que não permitirá que as medidas de corte afetem a população mais pobre do País.
O governo irá criar o superávit de 3% do PIB, que é muitíssimo para uma economia em relativa depressão, em crise, mas não vamos fazer sem prestar muita atenção à rede de proteção social que um país como o Brasil não pode dispensar, disse.
O presidente admitiu que poderá fazer novos cortes em programas sociais, reformulando e acabando com o desperdício de recursos, mas sem que isso prejudique os atendimento direto à população. Haverá aí, permanentemente, um olho para saber se os programas que chegam na ponta não serão atingidos. Ele argumentou que o mercado emite os sinais, mas que cabe ao governo corrigir estes sinais e impor limites para essa espécie de voracidade para que o governo corte, corte, corte.
FHC garantiu ainda que fará o que for necessário para manter a estabilidade, para combater a inflação para garantir que a proporção dívida/PIB seja decrescente. Mas com a consciência moral de que estamos dirigindo um país muito desigual e que as populações mais pobres não podem suportar custos além de certo limite.


