Patrícia Zanin
De Londrina
Para lideranças paranaenses consultadas pela Folha, a queda da popularidade do presidente Fernando Henrique Cardoso é reflexo do agravamento das diferenças sociais e do aumento do desemprego.
Na opinião do secretário-geral da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) do Paraná, padre Carlos Alberto Chiquim, o índice de rejeição a FHC resulta da manifestação do que sente o povo. ‘‘Ele manteve sua popularidade enquanto durou o fictício Plano Real. Mas agora a população está tomando consciência de que foi enganado’’, analisou.
Chiquim cobra a tomada de posição do governo, do Congresso e do Judiciário para uma mudança de rumos no Brasil. ‘‘A sociedade já está se envolvendo na medida em que quer combater a corrupção eleitoral, que participa do Grito dos Excluídos e reivindica mudanças’’.
Para o diretor da Sociedade Rural do Paraná, Arnaldo Coelho do Amaral Filho, a reação popular contra o governo de FHC reflete a insatisfação generalizada. ‘‘Ele tratou mal os ruralistas, caminhoneiros e outros setores. Não conseguiu garantir a satisfação de nenhum segmento, a não ser dos bancos e das multinacionais. O que é que ele esperava? Que sua popularidade estivesse alta? Seria impossível que alguém estivesse satisfeito.’’
Amaral Filho alerta ainda para a crise institucional no País. ‘‘O presidente acusa o Congresso de não fazer sua parte. O Congresso acusa a Justiça. E o presidente tem uma postura fraca’’, criticou.
Na opinião do secretário-executivo da Comissão Pastoral da Terra (CPT), Jelson Oliveira, FHC está colhendo o resultado de uma política que ele mesmo estabeleceu. ‘‘Enquanto houver desemprego e exclusão social nos níveis atuais, a popularidade dele tende a cair ainda mais’’, alertou. Ele acredita ainda que a rejeição ao presidente está ligada à falta de políticas sérias para o campo.

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