Agência Estado
Viagem rápidaFHC deixa sua casa em SP para dirigir-se ao aeroporto: presidente ficará pouco mais de 24h no UruguaiO presidente Fernando Henrique Cardoso vai assinar hoje, em Montevidéu (Uruguai), o acordo com os demais parceiros do Mercosul que mantêm o aumento de três pontos percentuais da TEC (Tarifa Externa Comum) até o final do ano 2000. FHC vai permanecer 24 horas e 30 minutos em Montevidéu. O presidente decidiu adiantar sua chegada em 1 hora e 30 minutos - desembarcou ontem, às 16h. A adesão do Paraguai e do Uruguai a essa medida foi o principal desafio dos negociadores reunidos desde sábado. Sem o consentimento desses países, o Mercosul seria descaracterizado como união aduaneira e perderia força principalmente nas negociações da Alca (Área de Livre Comércio das Américas).
O consentimento do Paraguai e do Uruguai foi confirmado ontem, durante reunião do Conselho do Mercado Comum, da qual participaram os ministros Pedro Malan (Fazenda), Antonio Kandir (Planejamento) e Francisco Dornelles (Indústria, Comércio e Turismo). Mas não foi de graça. O Paraguai conseguiu em troca a inclusão de até 700 produtos a sua lista de exceção à TEC, que já tem 300 produtos. O Uruguai, por sua vez, manterá 7% dos produtos importados isentos do aumento de 3 pontos. Hoje, os quatro presidentes deverão assinar acordos que liberam o setor de serviços e compras governamentais - dois temas ligados ao objetivo de aprofundar o Mercosul.
Também serão assinados acordos que harmonizam regras sobre Previdência Social e sobre a aplicação de medidas antidumping (contra importações a preços mais baixos que os do país de origem). Segundo o embaixador José Botafogo Gonçalves, secretário de Assuntos de Integração, Econômicos e Comércio Exterior do Itamaraty, a prioridade dos negociadores brasileiros em 1998 estará concentrada na eliminação de distorções existentes na TEC. Os quatro parceiros começarão, então, a negociar a harmonização ou eliminação dos regimes especiais de importação mantidos pelos quatro países.
A Argentina já se manifestou disposta a adotar um dos regimes especiais de importação do Brasil - os ex-tarifários. Trata-se de uma lista de máquinas e equipamentos sem similares na região que têm redução da tarifa de importação. O Brasil quer impedir que a Argentina consiga o apoio dos outros dois parceiros e prorrogue a vigência do regime de adequação (a lista de produtos protegidos até o final de 1998 da concorrência dentro do Mercosul). A reunião de cúpula deverá terminar hoje sem consenso nesse ponto.
O impasse se estenderá nas negociações que se darão ao longo do primeiro semestre na Argentina, que terá a presidência temporária do Mercosul até o final de junho.

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