Presidente argentino recomenda paciência aos brasileiros
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quarta-feira, 12 de novembro de 1997
Agência Estado Brasília 
No buracoMenem disputando uma partida de golfe: FHC é o presidente mais talentoso dos últimos anosO presidente da Argentina, Carlos Menem, reafirmou ontem sua confiança de que o pacote fiscal do governo brasileiro trará bons resultados. Mas é preciso esperar, ter paciência como a Argentina teve, referindo-se aos efeitos da crise do México, quando o país perdeu US$ 8 bilhões em 1995. Menem deixou claro que a economia argentina não é absolutamente dependente do Brasil, como dizem alguns economistas argentinos. Afirmou que existe uma perfeita complementação das nossas economias, que seguem crescendo.
Para Menem, a queda de 5.6 pontos do índice da bolsa argentina na segunda-feira não foi provocada pelas medidas econômicas do Brasil. Eu diria o que índice Merval não reflete a economia do nosso país, observou, mas sim os índices de crescimento e de produção. A economia argentina está firme e sólida e creio que o Brasil, em pouco tempo, estará em idênticas condições, apostou. O presidente da Argentina voltou a elogiar o coleqa Fernando Henrique, a quem referiu-se ontem como um homem talentoso, capaz e com muita coragem: o presidente com maior capacidade dos últimos tempos.
Em entrevista coletiva concedida ontem antes do almoço oferecido a Fernando Henrique, Menem preferiu ser cauteloso ao responder se a elevação das alíquotas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para automóveis e bebidas, uma das medidas no pacote, poderá afetar a importação de carros da Argentina. É uma possibilidade, mas é preciso esperar a repercussão da situação, disse.
O Brasil é o principal parceiro comercial da Argentina, que destina ao país cerca de 30% de sua produção. No caso dos automóveis, o volume da produção vendido ao Brasil é maior do que 50%. Muitos automóveis produzidos no Brasil são importados pela Argentina, por isto creio que a situação deverá se manter equilibrada.
Menem reafirmou que tem mantido intenso diálogo com Fernando Henrique para superar os efeitos desta crise que está atingindo todas as economias do mundo, mas adiantou que não houve consulta prévia do governo brasileiro antes das medidas do pacote econômico. O diálogo entre os dois países é excelente, insistiu, lembrando que ele próprio aprendeu que às vezes é preciso guardar o segredo da informação para conduzir bem a economia. Observou que a economia brasileira exigia as medidas de ajuste fiscal tomadas. Além disso, os organismos internacionais de crédito também propunham ao Brasil a necessidade deste ajuste, disse.


