Presidente admite que Brasil vive apartheid social
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quarta-feira, 27 de novembro de 1996
Agência Estado 
PRETÓRIA - As semelhanças e os problemas comuns entre o Brasil e a África do Sul foram o tema do encontro reservado ontem entre o presidente Fernando Henrique Cardoso e o presidente Nelson Mandela. Como o Brasil, o país foi descoberto por portugueses e abriga uma das maiores colônias portuguesas no Exterior (400 mil).
O fim do regime de discriminação racial - apartheid - em 1994, com a eleição de Mandela, não acabou com o apartheid social. A África do Sul tem uma taxa de desemprego de 40% da população economicamente ativa (PEA) admitida oficialmente pelo governo. São cerca de 10 milhões de desempregados, a maioria negra e sem qualquer qualificação profissional.
Cardoso reconheceu que o apartheid social também existe no Brasil. Observou, porém, que o primeiro passo para resolvê-lo a África do Sul já deu, a reconciliação democrática. Sobre os problemas sociais enfrentados pelos dois países, o presidente Fernando Henrique lembrou que o governo sul-africano fez grandes progressos na área da saúde e tem um programa de merenda escolar que atende seis milhões de crianças.
O nosso programa de merenda escolar atende 34 milhões, disse. Fernando Henrique e Nelson Mandela assinaram na sede do governo sul-africano quatro acordos bilaterais e uma declaração conjunta. O principal acordo é o que acaba com a exigência de visto para os portadores de passaportes diplomáticos, oficial e comum, até o limite de três meses (veja quadro acima).
Depois da reunião de trabalho, Fernando Henrique visitou a Universidade Sul-Africana (UNISA) para o lançamento do livro sobre os trabalhos do recente seminário Brasil/África. À tarde, concedeu audiências a políticos sul-africanos e à noite participou de jantar oferecido por Mandela na casa de hóspedes presidencial.
CUT Ainda na África do Sul, o presidente brasileiro criticou o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho, que pretende denunciar a falta de uma política social do governo no encontro de sindicalistas estrangeiros com o Papa João Paulo II dias 2 e 3 de dezembro. Eu não sei se ele vai fazer mesmo isto, ele às vezes gosta de dizer uma coisa e fazer outra, disse.


