Brasília - O candidato a presidente Ciro Gomes (PPS) perdeu a paciência ontem durante debate na Universidade de Brasília (UnB), quando se discutia a política de cotas para estudantes negros em universidades. Ele disse não estar convencido de que a política de cotas é a solução para ampliar o acesso de negros às universidades. ''A universidade tem caráter meritocrático. Entra nela quem tem mérito. Não me convenci (da política de cotas), mas estou aberto para discutir.''
O estudante de artes cênicas Rafael dos Santos tentou questionar a posição de Ciro, mas o candidato não permitiu que ele falasse ao microfone. O público presente - cerca de 500 pessoas, entre estudantes, professores da UnB e integrantes do PPS do Distrito Federal- pedia que o estudante se manifestasse no microfone.
''Não dá o microfone para ele'', gritou Ciro. ''Ninguém falou no microfone. Só porque ele é um negro lindo vai falar no microfone? Isso é demagogia, isso é o que discrimina o negro. Só porque é negro, fica com peninha e dá o microfone?'', completou, afirmando que conversaria com o estudante no fim do debate.
O estudante, no entanto, saiu do auditório e não falou com o candidato. ''Não tem que debater com Ciro Gomes, ele é direita disfarçada'', afirmou Santos. Nenhuma das pessoas que fez perguntas por escrito teve direito de contestar as respostas do presidenciável - motivo pelo qual Ciro não deu a palavra a Santos.
O presidenciável da Frente Trabalhista foi o primeiro a participar do fórum ''Brasil em Questão - A Universidade e a Eleição Presidencial''. Ao chegar ao auditório na UnB, tanto vaiado como aplaudido por estudantes.
Ciro foi vaiado novamente ao defender um acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), sem detalhar a base da negociação, para evitar a volta da inflação. ''Com atitudes de joão valentão, de ''abaixo FMI' e ''fora FHC', teremos de volta a inflação'', argumentou.

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