"O ruim é quando pessoas que não têm patrimônio entram na política e saem ricas, milionárias", diz o presidenciável do Novo
"O ruim é quando pessoas que não têm patrimônio entram na política e saem ricas, milionárias", diz o presidenciável do Novo | Foto: Nelson Almeida/AFP



Curitiba - Mais rico entre os presidenciáveis que já prestaram contas à Justiça Eleitoral, João Amôedo, do Partido Novo, disse nessa terça-feira (14), em Curitiba, que está dando uma sinalização extremamente importante ao eleitor brasileiro, acostumado a ver pessoas gastando muito mais do que têm. Ele declarou patrimônio de R$ 425 milhões, sendo mais da metade deste valor composta por aplicações de renda fixa. Também possui 13 imóveis, entre apartamentos, casa, terreno e salas comerciais, além de uma embarcação avaliada em R$ 4,1 milhões.

"Uma pessoa com esse patrimônio poderia ter ido para fora, mas está trabalhando há oito anos para melhorar o Brasil, realmente misturando aí certa dose de insanidade, por estar se expondo dessa forma, e um dever cívico muito grande. Fora isso, não teria outra razão para eu estar envolvido nesse processo. Gostaria de incentivar pessoas que foram bem-sucedidas na vida privada a virem para a vida pública e mostrar que elas têm de ser admiradas, e não criticadas", afirmou. Formado em engenharia, Amôedo fez a carreira atuando em bancos, como o Unibanco, que chegou a presidir.

"A gente não quer ter um Brasil próspero, com geração de riqueza, para combater a pobreza? Eu entendo que as pessoas mais simples estão procurando alguém que mostre sinceridade, honestidade, transparência e que seja um bom gestor. Meu patrimônio, na verdade, só referenda tudo isso; e especialmente a forma de explicitá-lo, sem esconder nada, sem desviar, sem colocar laranjas, o que a gente sempre tem acompanhado, infelizmente, na política brasileira", completou.

Ele também garantiu ser diferente de empreiteiros como Marcelo Odebrecht, envolvido na Lava Jato. "São gestores que entraram para a política e fizeram acordo com o Estado brasileiro para se beneficiar. Eu nunca ganhei nenhum tostão trabalhando com o Estado brasileiro. Na verdade, eu entendi que como cidadão e tendo sucesso já na vida eu deveria devolver um pouco para a sociedade brasileira. A gente precisa mudar essa cultura de achar que as pessoas bem-sucedidas estão aí para se aproveitar. Pelo contrário. O ruim é quando pessoas que não têm patrimônio entram na política e saem ricas, milionárias".

GASTOS
O candidato do Novo contou que pretende financiar do próprio bolso de 15% a 20% de sua campanha, estipulada em R$ 7 milhões. "Eu estou dando o que custa mais caro e a gente não tem de volta na vida, que é o tempo. E entendo que qualquer projeto só fará sentido se outras pessoas tiverem interesse em doar, em participar. Não tem sentido eu bancar integralmente a minha campanha, porque pareceria um projeto pessoal. Tudo o que a gente não quer no Novo é um projeto pessoal", justificou.

Sobre sua opção por investir em renda fixa, ele explicou que é uma aplicação mais conservadora. "Nos últimos anos, com a dedicação ao projeto do Novo e agora à candidatura, a última coisa que tenho tido é tempo para cuidar das minhas finanças pessoais". Amoêdo falou ainda que considera a política do Banco Central, de segurar a inflação, adequada. "O que não está adequada é a gestão do Estado brasileiro, que gasta muito, mais do que arrecada, e consequentemente vive no cheque especial. A gente precisa equilibrar as contas".

PROPOSTAS
O presidenciável defendeu as reformas da previdência e política e as privatizações de todas as estatais brasileiras. "O que entendo que faltou ao governo foram algumas coisas. A primeira, para fazer qualquer reforma que implique em redução de benefícios, tem de dar exemplo - cortar assessores, deixar de morar em palácio, deixar de usar jatinho para atividades pessoais (?) Segundo: tem que ficar claro para a população que a reforma da previdência é para que a gente consiga manter dinheiro para a saúde, a educação, e se isso não ocorrer toda a nossa arrecadação será consumida para pagar aposentadoria".

Em relação à reforma política, ele disse que o principal seria "eliminar dinheiro público". "Ou seja, fundo partidário e eleitoral. Não faz sentido tirar dinheiro da saúde e da educação para financiar partido. Outra coisa que a gente defende é extinção do voto obrigatório. É óbvio que votar é importante, as pessoas não devem abrir mão e é um direito. Mas como direito deveriam ter essa possibilidade. E a terceira coisa que a gente faria é introduzir o voto distrital misto, que aproxima o cidadão do seu representado e reduz os custos de campanha".

Caso eleito, o político do Novo falou que privatizaria a Eletrobras, a Petrobras, os bancos e os Correios. "Empresa pública não faz nenhum bem para o cidadão brasileiro, Obriga todos nós a sermos acionistas da Petrobras, do Banco do Brasil, da Caixa Econômica, sem nunca ninguém ter sido consultado. Segundo: dão um péssimo serviço. Basta ver o que aconteceu na telefonia e na Vale do Rio Doce, quando foram privatizadas. E terceiro: são cabide de emprego e criam ambiente propício para a corrupção. Então, não tem por que ter empresas estatais. Somos favoráveis que todas passem para a gestão privada".

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