Presidenciável diz que não teme as denúncias
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sexta-feira, 24 de maio de 2002
Jander Ramon Agência Estado 
São Paulo - O ex-governador do Rio de Janeiro e pré-candidato do PSB à Presidência da República, Anthony Garotinho, disse ontem que não teme o conteúdo da reportagem publicada ontem pela revista Carta Capital, que indicaria negócios ilícitos realizados pelo pré-candidato. Essa história já foi dita em 1996, quando fui candidato à prefeitura de Campos (RJ), e em 1998, quando fui candidato ao governo do Rio de Janeiro, afirmou.
Anteontem, o desembargador Jessé Torres, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, cassou a liminar concedida pelo juiz Marcelo Oliveira da Silva, da 21ª Vara Cívil, do Rio, que proibia a revista de publicar uma entrevista com o empreiteiro Guilherme Freire, em que o empresário divulgaria as irregularidades feitas por Garotinho. Freire teria posse de um conjunto de fitas que incriminaria Garotinho. Não impedi a publicação da reportagem. O que está impedida é a divulgação do conteúdo das fitas clandestinas e ilegais julgadas pela Justiça do Rio de Janeiro em última instância, justificou.
Garotinho reconheceu que Freire foi um de seus colaboradores em 1989, quando foi prefeito de Campos, pela primeira vez. O meu sucessor na prefeitura era primo do Freire e eles instalaram na cidade um cartel, em que só a empreiteira dele fazia as obras. Houve então um rompimento da minha parte com ele e eu me candidatei novamente à prefeitura em 1996, para acabar com este cartel e a partir daí ele começou a lançar essas denúncias, afirmou.
Segundo o jornalista Milton Jung, um dos entrevistadores da Rádio CBN, o conteúdo da reportagem de Freire na Carta Capital, de acordo com a entrevista do empreiteiro, é o de que o motivo de rompimento teria sido porque Garotinho convidou Freire para ser o intermediário da compra da TV Norte Fluminense, na cidade de Campos, no valor de US$ 6 milhões, mas que Freire teria se negado a entrar neste e em outros negócios de Garotinho. O rompimento teria ocorrido somente em 1996.
Por que ele faria isso contra mim?, questionou o pré-candidato, acusando em seguida o empreiteiro de ter oferecido um dossiê com conteúdo das fitas em 1998 à imprensa pelo valor de US$ 1 milhão. Desconfio que ele (Freire) se presta a alguma candidatura, que eu não sei qual, e quer me atingir. Minha vida é limpa. Tenho 20 anos de vida pública e ainda moro na casa que herdei de meu pai, afirmou.


