Presidenciáveis misturam futebol com política
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sábado, 01 de junho de 2002
Agência Estado 
Brasília - O mês será de muito trabalho na busca de aliados e seus preciosos minutos de televisão nas convenções partidárias, mas uma atenção especial será dedicada à Copa do Mundo de Futebol. Um olho na política, outro nos jogos. Assim já estão os principais candidatos à Presidência da República, todos entendidos ou muito interessados, garantem seus assessores. A vantagem, este ano, é que os horários dos jogos, de madrugada ou pela manhã, não vão tomar tempo da agenda política dos candidatos.
Não há pesquisa de marqueteiro que garanta a eficácia da mistura política-futebol, mas nenhum candidato arriscará ficar de fora do assunto. Um palpite aqui, um comentário ali e todos os presidenciáveis estarão na condição dos outros milhões de técnicos brasileiros.
A idéia disseminada pelos marqueteiros nos comandos de campanha é que os candidatos devem tentar tirar proveito do clima de otimismo que toma conta do brasileiro em tempo de Copa do Mundo. Demonstrar interesse pelos jogos e posar para os fotógrafos vestido a caráter são alguns dos conselhos.
Os dois corintianos do grupo de presidenciáveis - o petista Luiz Inácio Lula da Silva e o candidato do PPS Ciro Gomes - são os mais articulados na tentativa de participar do assunto que de fato interessará à maioria dos brasileiros nas próximas semanas. Para o primeiro jogo do Brasil, amanhã, Lula arrisca um placar: Brasil três, Turquia zero.
Independentemente do resultado, Ciro Gomes já está escalado para comentar a estréia do Brasil na TV Bandeirantes, amanhã logo depois do jogo.
Apostando na vitória brasileira contra a Turquia, Ciro, que na juventude foi comentarista de futebol no interior do Ceará, adverte: Nossa equipe é tecnicamente superior a do adversário, mas toda estréia é marcada por um nervosismo natural, e para não ser surpreendido como a França (derrotada por Senegal na estréia da Copa), o Brasil precisa tomar muito cuidado.
O senador José Serra, candidato tucano à Presidência, é outro entendido de futebol. Palmeirense doente, chegou a travar uma discussão pública com o técnico Luiz Felipe Scolari quando este dirigia a equipe do Parque Antártica. Então ministro da Saúde, Serra discordou de uma escalação do técnico, ao que ouviu como resposta nos jornais do dia seguinte um desaforo no estilo felipão de ser: É melhor ele cuidar da saúde no País, que está muito ruim.
Com Felipão na seleção brasileira, Serra tem evitado opinar publicamente sobre o desempenho do técnico, mas como os colegas de disputa, quer ver todos os jogos do Brasil, torcendo, claro, pela vitória. Nesta Copa Serra tem pelo menos uma vantagem, a julgar por sua fama de notívago: verá os jogos da madrugada como se fosse quatro da tarde.


