Presidenciáveis adotam estratégias opostas na reta final
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sábado, 19 de outubro de 2002
Silvio Bressan<br>Agência Estado. 
São Paulo Na última semana do segundo turno, os presidenciáveis Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e José Serra (PSDB) partem para a decisão com estratégias opostas. Será a calmaria contra a ventania. Favorito em todas as pesquisas, Lula já se comporta como presidente e só tem duas grandes preocupações: acalmar o mercado em reuniões com empresários e se preparar para o debate da ''TV Globo'', na próxima sexta-feira.
Serra, ao contrário, aposta em uma ''ventania'', como ele mesmo gosta de definir, para reverter o quadro. Além de radicalizar a campanha, com críticas ao adversário, o tucano investe em dois nichos para crescer na reta final: os evangélicos, na periferia das grandes cidades, e os prefeitos, nos municípios menores.
Os prefeitos já foram os alvos de Serra na sexta-feira, durante um encontro em Maringá (PR), e voltarão à cena nesta segunda-feira em Belo Horizonte (MG). A grande aposta, porém, é mesmo nos evangélicos. A avaliação é de que foram esses setores que quase levaram Anthony Garotinho (PSB) ao segundo turno.
A grande esperança de Serra é que o apoio de algumas igrejas, como a Assembléia de Deus e a Quadrangular, se traduza em votos para reduzir a larga vantagem que o separa de Lula hoje nas capitais. ''É justamente nessas periferias que o voto evangélico é forte'', explica um dos coordenadores da campanha do PSDB.
Além dessas duas frentes, Serra guarda uma última carta na manga: o presidente Fernando Henrique Cardoso. Existem várias fitas gravadas com as realizações do governo Fernando Henrique, até uma entrevista do presidente, que poderão ir ao ar nos próximos dias.
A primeira grande cartada dessa reta final de Serra será dada na noite deste domingo. O candidato anunciou durante a semana um pronunciamento, o que gerou muitos boatos no mercado financeiro. De acordo com assessores, porém, Serra fará um discurso político, sem grandes denúncias, o que não elimina a possibilidade de novos ataques.
A disposição bélica de Serra não encontra eco no PT. Na última semana, a ordem é poupar Lula de qualquer desgaste e mostrá-lo como estadista preocupado com a governabilidade. ''Estamos tranquilos'', diz o presidente do PT, José Dirceu. ''Setenta e seis por cento da sociedade concorda conosco e quer mudança.''


