Presidência pediu recurso pró-Tamarozzi
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segunda-feira, 11 de agosto de 2008
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
Os assessores jurídicos Carlos Alexandre Rodrigues, Marli Paiva e Paulo Anchieta, da Procuradoria Jurídica da Câmara de Londrina, confirmaram ontem em depoimento à Promotoria de Defesa do Patrimônio Público que o ingresso de recurso no Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) - semana passada, e negado já na quinta-feira - em favor do vereador afastado Luiz Carlos Tamarozzi (PTB) seguiu determinação da Presidência, ocupada pelo também petebista Sidney de Souza. O presidente da Casa já conseguiu ele próprio reverter dois afastamentos no TJ. Denunciado pelo Ministério Público (MP) nos casos Caldarelli e Shirogohan, Tamarozzi está afastado das funções, sem prejuízo da remuneração líquida de R$ 5.725, desde 18 de junho.
Funcionários de carreira do Legislativo, os três assessores jurídicos depuseram dentro do procedimento investigatório preliminar instaurado na última sexta pelos promotores Leila Voltarelli e Renato Castro. A Promotoria analisa se o recurso pela suspensão do afastamento de Tamarozzi é compatível com os princípios legais da moralidade e impessoalidade, uma vez que os também afastados Osvaldo Bergamin (sem partido), Renato Araújo (PP) e Flávio Vedoato (PSC), fora do posto desde março, não foram contemplados pelo mesmo esforço - ao contrário, seus suplentes tomaram posse menos de um mês após o afastamento.
Os três assessores não quiseram falar com a imprensa. A promotora preferiu não entrar em detalhes sobre o teor dos depoimentos, mas confirmou que os funcionários responderam o porquê de o recurso ter abrangido apenas o petebista. Questionada sobre a origem do pedido do ingresso do recurso, ela respondeu: ''Eles disseram ter agido a pedido da Presidência'', resumiu.
O procurador jurídico da Câmara, Airvaldo Stella Alves - que não assina o recurso, e que também cumpre quarentena de três anos pelo TJ, uma vez que se aposentou recentemente -, compareceu ao MP para conversar com os promotores. Irritado na chegada ao ser indagado se prestaria depoimento, bradou aos repórteres: ''Vim respeitosamente fazer um esclarecimento. Em 38 anos de atividade vou ser tachado de improbo gratuitamente? Isso vai dar samba, vai dar um bolero mexicano. Vocês não sabem com quem estão mexendo''. Após a conversa, admitiu ter sido convidado pelo promotor para falar, mas avisou: ''Não dou mais entrevista''. O presidente da Câmara não atendeu as ligações da reportagem.


