As articulações para a escolha do novo presidente do Legislativo em Londrina, a partir do próximo ano, ainda estão tímidas, mas, nos bastidores, quatro nomes já despontaram como candidatos potenciais. O atual presidente da Câmara, Flávio Vedoato (PL), é um deles. Elza Correia (PMDB), Tercílio Turini e Beto Scaff (ambos do PSDB) também estão sendo cogitados.
‘‘Tenho disponibilidade e interesse. E a votação que tivemos mostrou um referendo. Mas vamos buscar um consenso e para isso temos que discutir’’, ponderou ontem a reeleita Elza Correia, que fez este ano a maior votação da história do Legislativo londrinense: 8.992 votos. A coligação de Elza (PMDB e PTB) também foi a que conquistou mais vagas na Câmara: cinco cadeiras, credenciando o grupo para pleitear o cargo.
A vereadora afirmou que está sendo cobrada por setores da sociedade para que se coloque à frente da disputa. No entanto, ela admitiu que tem discutido o assunto sobretudo com o tucano Turini, outro forte candidato. ‘‘Nós firmamos uma parceria na Câmara e por isso temos conversado. Mas hoje ainda é prematura definir qualquer coisa. O momento de decisão da eleição é muito especial e é preciso ter cuidado e serenidade. É preciso que não haja imposição e que seja uma escolha democrática.’’
Tercílio concorda que as discussões ainda estão mornas e só devem esquentar às vésperas da eleição. ‘‘Ou até mesmo no dia, como já ocorreu’’, lembrou. ‘‘Mas é claro que o assunto já está sendo discutido com os que se reelegeram e também com os novos colegas.’’ Segundo ele, a idéia é abrir a discussão com todos os vereadores para que se forme uma mesa diretiva de consenso. ‘‘O próprio PT, que elegeu Nedson Micheleti, precisa participar desse processo de escolha.’’
Ontem, Beto Scaff e Vedoato não quiseram se pronunciar sobre o assunto. Levando em conta as agremiações políticas que fazem parte do próximo mandato, PSDB e PMDB irão formar as maiores bancadas, com três vereadores cada um. PT, PTB, PHS, PDT e PSB vêm em seguida, com dois vereadores. O quadro se completa com PPB, PFL, PL, PRTB e PPS, todos com um representante. Apenas nove dos 19 vereadores que concorreram à reeleição vão voltar à Câmara. O Legislativo tem 21 cadeiras.
Elza e Tercílio também mantém boa expectativa sobre o relacionamento entre o Executivo e o Legislativo a partir do próximo ano. No entanto, garantem que é importante manter a independência entre os poderes. Eles rechaçaram a idéia de ‘‘rolo compressor’’, como se viu na época em que o prefeito cassado Antonio Belinati (PFL) tinha maioria na Câmara. ‘‘A independência do Poder Legislativo nos últimos anos ficou comprometida e precisa ser resgatada. Foi um petit-comité do Poder Executivo’’, lamentou.
Para Tercílio, a independência facilita o trabalho dos vereadores. ‘‘Dá para aprovar projetos bons, melhorar o que é possível e rejeitar o que achar que é prejudicial para a cidade’’, comentou. ‘‘Acredito que o próprio prefeito vai inaugurar um novo tempo na prefeitura. E isso é importante porque no próximo ano vamos discutir assuntos polêmicos, como os contratos com a Vega, com a Sanepar e também o transporte coletivo.’’