Presença eleitoral baixa deve acirrar disputa no PT
PUBLICAÇÃO
domingo, 09 de outubro de 2005
Folhapress 
Porto Alegre - A queda acentuada do quórum no segundo turno da eleição para presidente do PT prejudicou o candidato ligado ao Palácio do Planalto, Ricardo Berzoini, e deve levar a uma disputa acirrada contra o ''radical'' Raul Pont, segundo prevêem os organizadores da votação.
Os primeiros resultados da apuração saem hoje à tarde, mas o vencedor só deve ser conhecido no final da semana. Votaram ontem cerca de 150 mil petistas, praticamente metade dos 314 mil que compareceram às urnas no primeiro turno, há três semanas. Na ocasião, o alto comparecimento, de quase 40%, foi apontado como prova de que o partido começava a dar a volta por cima após o maior escândalo de sua história.
Ontem, no entanto, nem a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que votou em Brasília, contribuiu para evitar a apatia. O problema para Berzoini é a geografia do desânimo da militância. As quedas mais expressivas no comparecimento ocorreram em alguns dos seus maiores redutos. Na cidade de São Paulo, a máquina eleitoral da família Tatto, que deveria ter despejado votos no ex-ministro do Trabalho e da Previdência, não funcionou. Votaram apenas 8 mil petistas, contra 21 mil no primeiro turno.
No Estado de São Paulo, 30 mil filiados votaram, menos da metade dos 70 mil de 18 de setembro. No Rio, o comparecimento caiu 40%. Já em Minas Gerais e no Rio Grande do Sul, onde Pont é forte, o comparecimento caiu menos.
A apatia do eleitorado petista foi debitada na conta da falta de disputas regionais e municipais, a maioria das quais resolvida já no primeiro turno, que atraem a militância ''flutuante''. Somente em oito Estados houve segundo turno para o diretório regional. ''Para uma disputa de segundo turno, sem eleições locais, é um quórum satisfatório'', disse Francisco Campos, coordenador do processo eleitoral.
Bastaram os números do comparecimento serem divulgados para a Democracia Socialista, corrente de Pont, comemorar. ''A queda no quórum em São Paulo nos beneficia. Os filiados mais politizados é que votaram agora e isso beneficia o Pont'', disse o secretário de Formação Política do PT, Joaquim Soriano, um dos coordenadores da campanha de Pont.
Berzoini obteve 42% dos votos no primeiro turno e por isso é ainda considerado favorito, mesmo com o baixo quórum. Seu adversário teve 14,7% e conta beneficiar-se dos demais candidatos da ''esquerda'' petista, mas foi prejudicado com a saída de um grupo grande deles do partido há duas semanas.
Berzoini votou às 9h30 num colégio na Cidade Ademar, zona sul de São Paulo, e afirmou que, confirmada a vitória, vai convidar Pont para compor a Executiva.
Apesar de ter assinado o documento pela ''refundação do PT'', o candidato da situação evitou o discurso de ''ruptura'', pregado pelo presidente interino, Tarso Genro.
Pont votou pela manhã em Porto Alegre e projetou uma política de alianças uniforme nos Estados. ''Há falta de sintonia entre o que pensa o partido e muitas coisas que se realizam no governo. Isso não é um problema de ser contra ou a favor do governo. Esse tensionamento não pode estar entre nós no ano que vem. Temos de resolver isso como partido, como governo'', disse.
Tentando se equilibrar entre Berzoini, a quem dá apoio, e Pont, que foi seu vice na prefeitura de Porto Alegre, Tarso projetou uma ''refundação'' do partido com a vitória de qualquer um dos dois.


