Curitiba - A força-tarefa criada em Curitiba para investigar casos de lavagem de dinheiro espera apresentar nos próximos 20 dias um relatório sobre as diligências conduzidas até agora. Procuradores da República, técnicos e auditores da Receita Federal correm contra o tempo para oferecer denúncias contra as empresas e pessoas que remeteram divisas ilegalmente para o exterior. Os procuradores temem que a demora em encontrar os responsáveis pelas operações faça com que as pessoas que tenham cometido crimes contra o sistema financeiro não possam mais ser punidas pela Justiça.
Segundo estimativas da Polícia Federal, cerca de US$ 30 bilhões foram enviados para o exterior de maneira ilegal desde 1997 através das contas CC-5, destinadas para o uso de estrangeiros residentes no Brasil. Empresas e pessoas residentes no Brasil utilizavam laranjas para enviar verbar, incorrendo assim nos crimes de sonegação fiscal e evasão de divisas. O problema encontrado pelas autoridades é que os crimes correm o risco de prescrever após um determinado período, ou seja, aqueles que efetuaram a lavagem de dinheiro não poderiam mais ser responsabilizados criminalmente pelo fato.
De acordo com o especialista em Direito Tributário, Wellington Pedroso, parte do dinheiro já não pode mais ser recuperada. ''A quantia devida em impostos só pode ser cobrada cinco anos após o ato que gerou o débito. Os impostos devidos só poderiam ser cobrados após esse período se já estivessem sendo questionados na Justiça'', explicou Pedroso.
O Ministério Público Federal (MPF) estima que além dos US$ 30 bilhões enviados ilegalmente para o exterior, outros US$ 30 bilhões já escaparam da União apenas pela quantidade de multas e juros que poderiam ser aplicados aos sonegadores. O jornal Correio Braziliense, em matéria publicada na terça-feira, estima que mais R$ 7 bilhões possam ser perdidos devido à prescrição ainda neste ano, caso as denúncias contra os responsáveis não sejam oferecidas à Justiça até o final do ano.
Apesar de o MPF apurar o esquema de lavagem de dinheiro desde 1999, poucas denúncias foram oferecidas no período. A sede da Procuradoria de Foz do Iguaçu chegou a tentar transferir as diligências para Curitiba, alegando que havia pouco pessoal e recursos técnicos para acompanhar a rota do dinheiro que era enviado ao exterior e repatriado ao Brasil através de contas em paraísos fiscais. A reivindicação dos procuradores de Foz foi atendida com a criação da força-tarefa em Curitiba, que centralizou as investigações sobre o tema no Estado.

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