Prerrogativas dos advogados não são privilégios, diz Lewandowski
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sexta-feira, 31 de julho de 2015
Mariana Franco Ramos<br> Reportagem Local 
Curitiba - O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, voltou a criticar ontem a decisão da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras de convocar a advogada criminalista Beatriz Catta Preta para falar sobre questões que envolvam sigilo profissional, como o recebimento de honorários advocatícios. "Eu quero dizer que as prerrogativas dos advogados, os predicamentos da magistratura e as imunidades parlamentares não são privilégios dessas categorias, mas sim garantias da própria cidadania", afirmou.
Em entrevista ao Jornal Nacional, da TV Globo, anteontem, Catta Preta contou que resolveu encerrar a carreira, abandonando todos os casos que defendia, por zelar pela segurança de sua família. O magistrado falou que não acompanhou as declarações e que baseou sua decisão nos autos. "Eu concedi, como todos sabem, uma liminar estabelecendo que a CPI não poderia interferir no sigilo das comunicações entre advogado e seu cliente e nem perquirir acerca dos honorários de um serviço efetivamente prestado", disse. "No plantão do Poder Judiciário, esse processo será distribuído ao ministro Dias Toffoli, que certamente tomará as decisões subsequentes", completou.
Lewandowski esteve ontem em Curitiba, acompanhado do também ministro do STF Luiz Edson Fachin, para participar de uma extensa agenda, que incluiu o lançamento do Programa de Audiência de Custódia do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Em rápida entrevista à imprensa, após o evento no Tribunal de Justiça (TJ), ele comentou ainda o fato de ter se reunido com a presidente Dilma Roussef (PT) em Portugal, no início do mês. O encontro gerou polêmica porque não constava da agenda oficial de nenhum dos dois. "Os meus encontros com a presidente Dilma, que são muitos, são vários, dizem respeito exclusivamente a assuntos institucionais, relacionamento entre os poderes da República", justificou.
O presidente da CPI da Petrobras, deputado Hugo Motta (PMDB-PB), afirmou ontem que a convocação da advogada Beatriz Catta Preta está mantida e que a CPI quer saber quem a ameaçou.
Motta lançou suspeitas de que Catta Preta esteja se "vitimizando" para esconder "talvez alguns atos ilícitos que ela tenha cometido no âmbito do processo da Lava Jato". (Com Folhapress)


