Preocupado com 2010, Lula decide checar obras do PAC
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quinta-feira, 09 de abril de 2009
Tânia Monteiro<br>Agência Estado 
Brasília - Irritado com a demora no andamento das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocou uma reunião com nove ministros e os presidentes do BNDES, da Caixa Econômica federal, e da Petrobras, para exigir mais celeridade nos trabalhos. Na reunião, Lula avisou que vai fazer um périplo pelo País para visitar cada obra do PAC, ver como estão se desenvolvendo e os motivos do atraso. Nessas viagens, ele se reunirá com representantes dos estados e dos municípios para discutir os gargalos do programa. Uma das principais preocupações de Lula é que, com os atrasos, as obras do PAC não fiquem prontas. Elas são o grande cabo eleitoral de seu governo e a maior bandeira da campanha de 2010.
No início deste ano, Lula havia determinado que as empresas responsáveis pelas obras do PAC deveriam contratar um terceiro turno de trabalho, para acelerar as obras e gerar mais empregos. Ontem, ele se queixou do fato de que sua orientação não foi seguida. Ele reclamou da dificuldade da máquina em ''fazer as coisas saírem do papel''.
Depois de se reunir com os ministros, em conjunto, Lula realizou encontros separados e dedicou boa parte do dia a discutir os problemas do Ministério dos Transportes, onde está localizada uma grande parte das obras, e onde existem muitos problemas. Os atrasos nas obras das rodovias, principalmente, preocupam bastante o presidente.
Pressionado, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (Dnit) cobrou celeridade das empreiteiras. O diretor-geral, Luiz Antonio Pagot, disse recentemente que algumas empresas devolveram obras, pois haviam assumido contratos acima de sua capacidade operacional. As segundas colocadas nos processos licitatórios foram chamadas. No mês que vem, ele pretende anunciar o resultado de um balanço de andamento dos contratos do PAC.
Ao sair da reunião com Lula, o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Filho, declarou que ''foi uma reunião administrativa onde o presidente, nessa primeira fase, deixou bastante claro seu envolvimento pessoal no acompanhamento das obras que estão ocorrendo no País, cobrando cronogramas, celeridade e insistindo na tese que temos que criar condições para que as obras sejam tratadas com mais um turno para gerar empregos''.
Geddel reconheceu que ''gargalo em obra pública existe sempre'' seja por causa da legislação, por causa das questões ambientais e da própria relação com o Tribunal de Contas da União que tem que cumprir seu papel de fiscalizar as obras. ''Nós temos que fazer os enfrentamentos necessários, mudar o que tiver que se mudado para que as obras possam avançar e os empregos possam surgir'' declarou Geddel ao explicar que ''não tem um problema específico, mas uma série questionamentos, problemas legais que amarram muito, burocratizam muito''. O ministro lembrou ainda que, depois de o País viver uma um momento em que a orientação era não gastar para gerar superávit primário e tudo era feito, todas as exigências eram feitas para não gastar, agora, nesta nova fase, que o momento é para gastar, as dificuldades aparecem.
Da reunião conjunta com Lula participaram os ministros da Casa Civil, Dilma Rousseff; da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima; da Secretaria de Portos, Pedro Britto; das Cidades, Márcio Fortes; dos Transportes, Alfredo Nascimento; da Defesa, Nelson Jobim; de Minas e Energia, Edison Lobão; do Meio Ambiente, Carlos Minc; e da Coordenadora Geral da União, Jorge Hage, além dos presidentes do BNDES, Luciano Coutinho, da Caixa Econômica Federal, Maria Fernanda Coelho e da Petrobras, José Sérgio Gabrielli. (colaborou Lu Aiko Otta)


