Premier português defende Mercosul
Gustavo Alves
Agência Estado
O primeiro-ministro de Portugal, António Guterres, afirmou ontem na Cimeira do Rio, que o Brasil já pode ser considerado uma potência mundial. Um país com 160 milhões de habitantes e um PIB como o do Brasil não é um país pobre, afirmou Guterres. Os países do Mercosul não são mais considerados pobres, dentro da lógica da economia mundial, analisou o primeiro-ministro. Para Guterres, o mercado comum dos países do Cone Sul tem vocação de assumir a hegemonia política e econômica na América do Sul. Ele afirmou estar interessado em fortalecer a integração da União Européia com o bloco para evitar o predomínio dos Estados Unidos em toda a América, elaborando um mundo multipolar.
Segundo o primeiro-ministro, a criação do Mercosul foi um passo histórico que pode cair no vazio, se não houver visão estratégica. Temos de saber superar os pequenos problemas, afirmou Guterres. Ele aconselhou a formação de instâncias que cuidem de temas do bloco sul-americano que estejam acima dos governos de cada país, como é o caso do Parlamento Europeu.
Guterres confirmou que o novo grande interesse externo português é o Brasil. A única forma de projeção de Portugal na Europa é o país projetar-se para fora, afirmou. A Espanha é o outro país europeu mais interessado na integração dos dois blocos, lembrou. Guterres disse que 40% dos investimentos externos portugueses, cujo total não soube dizer, foram feitos no Brasil.
Ao comentar os investimentos de seu país no Brasil, ele admitiu que o pior desempenho das empresas portuguesas foi no setor financeiro. Segundo Guterres, uma das razões para isso é a necessidade de conhecimento profundo do mercado em que se vai investir no setor. O primeiro-ministro lembrou que, com a integração, também haverá oportunidades de investimentos brasileiros na Europa, como já acontece em Portugal, nos setores de comunicações e construção.
RepercussãoTalvez a melhor cobertura mais completa, na Europa, da Cimeira do Rio, seja a do Financial Times de Londres, e dos jornais econômicos franceses, Les Echos, e La Tribune. Para esse último jornal, no momento em que Europa e Mercosul se aproximam comercialmente, o Brasil está se recuperando da crise, mas a Argentina mergulha na recessão. Para o jornal, o Brasil contornou os prognósticos mais pessimistas e vai sair da crise financeira e econômica mais rapidamente do que se esperava, mas essa crise se propagou a seus vizinhos mais imediatos. Dessa forma, Argentina e mesmo o Chile terão que enfrentar uma grave recessão.
De uma maneira geral, os jornais não escondem a existência de dúvidas quanto ao êxito do encontro do Rio, caso do Les Echos que, muito prudente afirma que os Quinze e a América Latina tentam lançar as bases de um sistema multipolar, lembrando as difíceis negociações para a aprovação de um mandato que permitirá a Comissão Européia iniciar o debate com o Mercosul sobre uma zona de livre comércio.





