O primeiro programa eleitoral no horário gratuito de televisão dos candidatos à Prefeitura de Londrina, exibido às 13 horas de ontem, foi dedicado basicamente à apresentação dos candidatos aos eleitores. Eles contaram histórias pessoais, colocaram familiares e pessoas próximas para prestar depoimentos e falaram de suas vidas profissionais. Não houve espaço para propostas. A maioria dos candidatos apresentou boas produções técnicas. A coligação Frente de Esquerda, do candidato Valmor Venturini (PSOL), não levou o programa ao ar, às 13 horas. ''Houve um problema técnico e não chegamos a tempo na emissora geradora'', disse o secretário geral do PSOL, Lucas Perucci.
O humilde
Com o maior tempo televisivo, o candidato Marcelo Belinati (PP) abriu o horário gratuito falando sobre a perda do pai antes de completar um ano de vida, da luta pessoal da mãe para criar os dois filhos (seu irmão é juiz federal) e de sua carreira como médico. A produção exibiu fotos da infância e do trabalho. Além da mãe e da esposa, um paciente, uma vizinha, colegas de profissão, empresários, moradores da cidade, funcionários da área da saúde, especialmente do Hospital Universitário, atestaram que Marcelo é uma pessoa íntegra, extremamente dedicada ao trabalho e muito humilde.
O candidato citou brevemente seu tio Antonio Belinati, ex-prefeito de Londrina e ex-deputado estadual Antonio Belinati. ''Costumo ouvir bastante a minha família. Ouço o Belinati, que já foi três vezes prefeito.'' Belinati foi cassado pela Câmara acusado de gastos abusivos na inauguração do Pronto Atendimento Infantil (PAI) e responde a dezenas de processos por irregularidades em sua terceira administração (1997-2000). O vice, Junker Grassiotto, apareceu brevemente, também elogiando Marcelo.
A vítima
O ex-prefeito Barbosa Neto (PDT), cassado no último dia 30 pela Câmara Municipal, sob acusação de infração político-administrativa, usou seus 2 minutos e 43 segundos para falar justamente sobre a perda do mandato, se colocar como vítima e atacar os ''poderosos'' cujos interesses ele teria contrariado durante seu mandato. Diante da suspensão dos direitos políticos decorrentes da cassação, Barbosa, caso eleito, poderia não assumir, segundo entendimento de juristas da área eleitoral. ''Não há nada na Justiça que me impeça de assumir um novo mandato'', afirmou no programa. ''A decisão da Câmara vai ser revertida na Justiça.''
O candidato também falou que é difícil ter serenidade sendo ''vítima de tanta injustiça'', citando como algozes a Câmara, a imprensa e os adversários políticos. ''Mais do que de mim, eles têm medo de vocês. Têm medo da liberdade do londrinense de reeleger o seu prefeito.'' No programa com produção mais simples que os concorrentes, dois eleitores foram entrevistados. Uma disse ser fã do ex-prefeito e o outro disse que ''nunca fui simpatizante do Barbosa, mas agora vou gostar dele porque injustamente tiraram ele, pelo que ele está fazendo para Londrina''.
A mulher
O programa de Márcia Lopes (PT), com o segundo maior tempo, também optou por apresentar a família da candidata, cujos pais vieram para Londrina em 1938. Pessoas simples, se dedicaram a trabalhar pela cidade. A candidata também falou sobre sua infância, a ligação com Igreja Católica, a generosidade da mãe ao acolher os pobres e os viajantes recém-chegados à cidade.
Porém, o programa enfatizou o fato de a candidata ser mulher. Uma série de eleitores fez comentários como: ''a proposta dela é bem parecida com a Dilma'', ''Londrina nunca teve uma prefeita'', ''estamos cansados de ver homens entrar na prefeitura e fazer essas barbaridades'', ''já tem uma presidenta, agora vamos eleger uma prefeita'' e ''Londrina vai ter uma mãe''.
A oposição
Após o vazio de quase dois minutos da coligação Frente de Esquerda, foi a vez do deputado estadual Luiz Eduardo Cheida (PMDB). Foi ele mesmo quem abriu o programa, apresentando-se e revelando o desejo de fazer ''o bem por Londrina''. Enfatizou seu amor e respeito por Londrina, mas concluiu que ''estes sentimentos têm sido desrespeitados''. ''O prefeito deve ser o guardião da moralidade, trabalhar com austeridade e honrar seus compromissos e jamais envergonhar a cidade'', discursou o candidato.
A esposa de Cheida também fez um depoimento em favor do candidato, falando dos cinco filhos e dos dois netos. O vice, Dr. Caetano, disse que Londrina tem potencial de crescimento e que Cheida é capaz de implantar o melhor programa.
O ''rebelde''
Aproveitando o fato de ser o último a se apresentar, conforme sorteio da Justiça Eleitoral, o programa de Alexandre Kireeff (PSD) começou falando em ''virar a página''. A produção também apresentou as origens do candidato, cuja família chegou a Londrina em 1932. Eram pessoas humildes e, com muito trabalho, progrediram. ''Sou herdeiro dessa vontade de trabalhar'', disse Alexandre. A produção falou também de seus pais, sua esposa e dos três filhos. Sendo novo no cenário político, Kireeff explicou porque vai disputar a prefeitura. ''Não concordo com a forma como a política vem sendo conduzida. É um ato de rebeldia contra tudo o que não aceito.''

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