Planejamento e prioridade. Para boa parte das prefeituras da região de Londrina, esses têm sido fatores fundamentais que vão garantir, neste mês de julho, o repasse da primeira parcela do 13º salário do funcionalismo municipal. De sete municípios consultados pela FOLHA, quatro já repassaram ou repassam, até o próximo dia 31,50% do benefício normalmente pago no final do ano.
Londrina encabeça a lista de cidades em que o 13º deverá mesmo ficar para novembro ou dezembro - ainda que mais da metade de todo o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) previsto para este ano tenha sido arrecadada no primeiro quadrimestre. De acordo com o secretário municipal de Fazenda, Wilson Sella, o adiantamento não será possível em função de aportes mínimos de pelo menos R$ 1,5 milhão mensais que a Prefeitura terá de oferecer em contrapartidas de obras em realização.
''O fluxo financeiro do começo do ano é todo organizado para sanear repasses a fornecedores e entidades assistenciais; além do mais, o caixa de IPTU representa apenas 21% do recurso livre que temos, e ainda descontando os 10% que demos a quem quitou o imposto à vista'', disse.
Conforme o secretário, porém, o índice de comprometimento da Receita Corrente Líquida (RCL) com pessoal é que estaria inviabilizando, de fato, reservas para o repasse de parte do 13º salário - o que, em Londrina, seriam cerca de R$ 8 milhões. ''A questão de estabelecer prioridades é muito divergente quando a principal despesa de uma Prefeitura é com folha (R$ 15,5 milhões mensais), como no nosso caso. A grande maioria dos municípios de pequeno porte tem um comprometimento bem aquém com pessoal, aí é mais fácil mesmo planejar.''
Em Cambé (13 km a oeste de Londrina), onde a administração de Adelino Margonar (PMDB) enfrentou mês passado uma onda de protestos de servidores - eles pedem a demissão de parte dos comissionados para fazer frente à reposição salarial -, a situação não difere da de Londrina. ''Como estamos em negociação e haverá assembléia de servidores em setembro, até lá é impossível pensar em antecipação de 13º. Não há caixa para tal'', afirmou o secretário municipal de Administração, Ozires Cavaleti. Segundo ele, em Cambé há cerca de 1.850 funcionários, para uma folha mensal de aproximadamente R$ 2,6 milhões.
Em Arapongas (37 km a oeste de Londrina) também não haverá antecipação do benefício - mas, de acordo com o secretário municipal de Finanças, Josias Borges Gamero, foi uma decisão tirada ''em conjunto com o funcionalismo''. ''Temos o dinheiro em caixa, só que, na consulta com os servidores, nos disseram que preferem receber tudo em uma única parcela, no final de novembro'', comentou o secretário, que diz ter uma folha de R$ 2,7 milhões mensais distribuída em pouco mais de 3,5 mil funcionários. No município de Ibiporã (14 km a leste de Londrina), a situação ainda não está definida. ''Por enquanto não há nada certo; na segunda-feira conversarei com o prefeito (Beto Baccarim) sobre isso'', resumiu o secretário de Finanças, Hélio Correia.

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