A Prefeitura de Curitiba ainda não se adaptou totalmente a uma lei em vigor há oito anos, que determina que todos os serviços públicos executados por empresas privadas obrigatoriamente passem por licitação. Serviços fundamentais como o transporte coletivo não seguem a Lei de Licitações (8.666/93). Os administradores públicos que desrespeitam essa lei estão sujeitos a penas que vão da devolução do dinheiro gasto até a perda de mandato e a prisão.
A Folha apurou que, além do sistema de ônibus urbano, o Serviço Funerário Municipal (SFM) e a utilização do Centro de Eventos do Parque Barigui não são alvo de licitação. Todos os casos são anteriores à chegada de Cassio Taniguchi (PFL) à prefeitura, em 1997, mas ele fez pouco para resolver essa herança. A Lei de Licitações regulamenta o que determinou a Constituição Federal de 1988.
Em julho deste ano, o juiz Salvatore Astuti, da 1 Vara da Fazenda Pública, obrigou, por meio de liminar, a prefeitura a realizar licitação para todas as linhas de ônibus que fossem implantadas a partir daquela data. O mérito de uma ação, que exige a realização de licitação em todo o sistema, ainda não foi julgado.
Explorado por dez empresas, o transporte de passageiros na Capital paranaense movimenta, em média, R$ 30 milhões por mês. Em agosto, foram transportados 29,7 milhões de passageiros. Todo o dinheiro arrecadado vai para um caixa único da Urbs (autarquia da prefeitura que gerencia o sistema), que paga as empresas com base nos quilômetros rodados pelos 1.598 veículos em circulação.
Desde 1987 na gestão do ex-prefeito Roberto Requião (PMDB), hoje senador as empresas atuam por meio de permissão. Não há prazo definido para que esses contratos expirem. Algumas trabalham desde muito antes, em 1946, quando o transporte passou a ser considerado serviço público.
No serviço funerário, 21 empresas operam desde 1987, quando Requião encampou o sistema. O serviço passou a ser feito, também por permissão, pelas empresas da época. Em maio último, em um novo decreto para regular o setor, a prefeitura promete realizar licitação até o final deste ano, mas não estipula data para que isso aconteça.
O Centro de Eventos do Parque Barigui é alugado desde 1974 para a empresa Diretriz. Pelo aluguel do local, onde são realizados alguns dos grandes eventos de Curitiba, a empresa paga atualmente R$ 360,00 (dois salários mínimos fixados em contrato).
O aluguel de um apartamento de classe média no mesmo bairro custa em média R$ 450,00. Segundo a prefeitura, o contrato, que deverá vencer nos próximos anos, não será renovado e a ocupação do prédio será alvo de licitação.

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