Curitiba - Não são poucas as prefeituras que resolveram optar pelo corte de expediente para reduzir os gastos tradicionais de fim-de-ano. Além do 13º salário, os prefeitos aproveitam para deixar ''as contas em dia''. Uma das situações mais críticas está sendo vivida pela Prefeitura de Umuarama, que resolveu reduzir o expediente. De acordo com a assessoria de imprensa, o motivo foi a queda da receita. Dos R$ 61,5 milhões esperados até outubro, apenas R$ 53,7 milhões foram arrecadados. O governo federal teria deixado de repassar verbas importantes para o município.
O horário diferenciado, das 8 horas ao meio-dia, começou no dia 18 de outubro. À tarde funciona apenas o plantão para recolhimento de impostos e expedição de certidões negativas. Serviços essenciais como atendimento à saúde, coleta de lixo, funcionamento de escolas e creches e patrulhamento da Guarda Municipal operam normalmente. Cerca de 200 estagiários foram dispensados por falta de recursos. Eles foram contratados no início do governo para suprir a demanda criada com aposentadorias e exonerações de servidores de carreiras.
A crise também teria levado o prefeito Luiz Renato Ribeiro de Azevedo (sem partido) a antecipar uma reforma administrativa. A previsão é que sejam dispensados pelo menos 20% do efetivo de primeiro escalão. A reforma só terminará no ano que vem. Na próxima semana, o prefeito deverá enviar para a Câmara de Vereadores um projeto de lei antencipando a cobrança do IPTU 2007. Tudo para melhorar o caixa e evitar prejuízos ainda maiores aos cofres públicos. Os contribuintes que pagarem até 15 de janeiro terão um desconto de 20%. No ano passado, o prazo para pagamento à vista era em 15 de fevereiro e o desconto foi de 15%.
A previsão do secretário de Administração e Finanças, Pedro Arildo Ruiz Filho, é de que a situação esteja totalmente normalizada em fevereiro próximo. Outras prefeituras, como as de Paranavaí e Cianorte, também passam por dificuldades. Em Altônia (76 quilômetros a Sudoeste de Umuarama), a Prefeitura também resolveu implementar a política do meio-expediente. Desde o dia 6 de dezembro, os serviços públicos funcionam das 8h às 13h. Além de reduzir os gastos com serviços básicos (como luz, água e telefone), a estratégia impede ainda que a administração municipal tenha necessidade de contratação temporária de estagiários. De acordo com o secretário de Finanças de Altônia, Cícero Moura de Amorim, a expectativa é poupar até 30% do que se gasta atualmente com os serviços básicos.
A prefeitura resolveu, ainda, reduzir os gastos com material de escritório. Nada tem sido comprado. Apenas papel sulfite, quando falta. ''Temos estoque antigo. Não compramos mais canetas, nada. Os funcionários aprendem a usar o computador e imprimir o que for necessário. Sem gastos extras com material de escritório'', disse Amorim. O secretário não teme que falte dinheiro para o pagamento de salários ou de parte do 13º salário (metade é adiantada nas férias dos servidores). ''Nossa prioridade sempre é pagar a folha de funcionários'', disse o secretário. Os serviços com maquinários foram cortados. Apenas estão sendo realizados serviços essenciais, como manutenção de vias públicas.
As obras em andamento não foram paralisadas. No entanto, segundo Amorim, nenhuma obra nova será iniciada até o ano que vem.

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