Os 29 prefeitos que fazem parte da Associação dos Municípios do Setentrião Paranaense (Amusep), se reuniram anteontem em Maringá para ‘‘analisar’’ as medidas econômicas do governo federal. Nenhuma sugestão para driblar a crise foi apresentada de forma global. Apenas lamentos e iniciativas que podem ser tomadas isoladamente por cada município. O prefeito de Maringá e presidente da Amusep, Jairo Gianoto (PSDB), acha que não adianta uma caravana para protestar em Brasília. Ele defende a escolha de representantes de cada microregião, para reuniões com deputados, senadores e membros da equipe econômica.
Gianoto acredita que o plano de ajuste fiscal vai atingir principalmente os municípios de pequeno porte. ‘‘O corte no repasse do Fundo de Participação dos Municípios de 20% para 40% vai ser um desastre para as pequenas prefeituras’’, afirma. O déficit mensal de Maringá, pelos cálculos de Gianoto, chega a R$ 1 milhão. Com os cortes deve chegar a R$ 1,4 milhão ao mês. ‘‘Não teremos onde captar recursos para evitar um agravamento ainda maior na situação’’, define ele.
Os prefeitos já falam em fechar creches e cobrar pelo transporte de estudantes, ou ainda cortar gastos na área de saúde. ‘‘Não temos outra alternativa’’, diz o prefeito de São Jorge do Ivaí, José Luiz Bovo. Ele revela que gasta um terço do orçamento na saúde. ‘‘O governo lançou um programa para dar remédios aos pacientes hipertensos, não passa o dinheiro e a prefeitura assumiu 165 doentes’’, reclama. O prefeito Alvarino Facin, de Presidente Castelo Branco, diz que chega a ser cobrado por gerentes de bancos. ‘‘Na região oito prefeituras estão com os telefones cortados’’, diz.

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