Prefeituras fecham para não quebrar
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quarta-feira, 16 de julho de 2003
Cristiane Oya<br>Reportagem Local 
A queda na arrecadação do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) e do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) registrado este mês, está fazendo com que cerca de 160 das 399 prefeituras em todo estado passem a atender a população apenas durante meio período e mantenham em funcionamento somente os serviços essenciais em saúde, educação e limpeza.
Na última segunda-feira, as 26 prefeituras da Associação dos Municípios do Vale do Ivaí (Amuvi), decretaram moratória e suspenderam os pagamentos aos fornecedores.
O presidente da Associação dos Municípios do Norte do Paraná (Amunop) e prefeito de Bandeirantes, Nilton De Sordi Júnior (PSDB), anunciou ontem que além das medidas de contenção de gastos, colocando todos os maquinários nos pátios e mantendo somente os serviços essenciais, os 19 municípios ligados à Amuvi também farão uma paralisação geral amanhã. ''O reflexo para a população vai ser terrível, mas não tenho outra saída'', justificou. Durante a sexta-feira, serão colocadas faixas em frente as prefeituras com a frase: ''Parar porque queda na arrecadação é prejuízo para a população''. ''Tivemos que tomar estas atitudes primeiro porque a queda na arrecadação foi brutal, de cerca de 30% no FPM e 20% no ICMS. Segundo, devido a paralisação das obras federais e, terceiro, pela ruptura dos contratos dos convênios'', disse o prefeito de Nova Santa Bárbara, Júlio Bittencourt (PP). Conforme Bittencourt, o FPM e o ICMS representam cerca de 97% da receita do município. ''Se continuar assim, os municípios vão quebrar'', complementou o prefeito de Nova Fátima, José Delanhol (PSDB).
Os 21 prefeitos da Associação dos Municípios da Região dos Campos Gerais (AMCG), se reuniram ontem em Castro e decidiram adotar as mesmas medidas de contenção de gastos das outras prefeituras, além de cortar o pagamento das horas extras e suspender os serviços terceirizados. ''Não vamos fazer moratória, mas não queremos que atrasem os pagamentos e que acabe onerando mais para a frente, a ponto de inviabilizar os compromissos dos municípios'', disse o presidente da AMCG, o prefeito de Tibagi, José Mello (PSDB).
Representando 27 municípios, a Associação dos Municípios do Norte Pioneiro (Amunorpi) também orientou os prefeitos a adotarem as medidas de contenção de gastos.
Os prefeitos da Associação dos Municípios do Médio Paranapanema (Amepar), deverão se reunir hoje para definir as medidas que serão tomadas após a queda na arrecadação. ''Não vou induzir a moratória, mas vou orientar para parar todas as compras e um plano de redução de despesas, ficando exclusivamente no essencial e o funcionamento de um período só nas prefeituras'', adiantou o presidente da Amepar e prefeito de Arapongas, José Bisca (PFL).
A diretoria da Associação dos Municípios do Sudoeste do Paraná (Amsop) também irá se reunir hoje para verificar a situação das 42 prefeituras.


