Prefeituras fecham para economizar
Patrícia Zanin
De Londrina
Pelo menos 45 das 399 prefeituras do Paraná vão fechar por 30 dias a partir do próximo dia 20. Durante um mês, não haverá expediente. Apenas os serviços essenciais como saúde, coleta de lixo e limpeza pública serão mantidos. Até mesmo o setor de arrecadação das prefeituras, cuja procura aumenta consideravelmente em janeiro por causa do recebimento do Imposto sobre Propriedade Territorial Urbana (IPTU), funcionará em esquema de plantão. A meta dos prefeitos é economizar e, como alguns definem, consertar o caixa.
A Associação dos Municípios do Paraná (AMP) ainda não tem um levantamento fechado sobre o número de prefeituras que adotarão o fechamento temporário, mas a entidade acredita que a iniciativa deverá ser seguida por várias associações municipalistas. É preciso ter fôlego para começar o ano, argumentou o prefeito de Terra Rica (57 km a noroeste de Paranavaí) e presidente da Associação dos Municípios do Noroeste do Paraná (Amunpar), Cláudio Domingos Soletti (PSDB). Segundo ele, as 29 prefeituras da Amunpar não terão expediente por um mês, a contar do dia 20.
Segundo ele, foi a única forma que os prefeitos encontraram para consertar o caixa, reduzido significativamente por causa do 13º salário e também pela diminuição do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). A última coisa que o prefeito devia fazer é fechar. É um trauma, mas, em vários casos, não há outra alternativa. A situação é de exaustão, classificou o presidente da AMP e prefeito de Iretama (60 km ao sul de Campo Mourão), Same Saab (PSDB). Ele reconheceu que a população será prejudicada com a medida.
O presidente da entidade acredita, porém, que, para muitas prefeituras, não restou outra saída a não ser suspender temporariamente as atividades por causa do acúmulo de contas a pagar no final do ano, principalmente o 13º e os fornecedores. Ele lembrou que prefeitos estão optando por pagar o vencimento extra do funcionalismo ao invés de acertar as contas com fornecedores. E a seca agravou a situação. Os municípios estão tendo que disponibilizar máquinas para fazer bebedouros, senão a criação morre de sede. Estamos gastando as reservas que tínhamos, constatou.
No Vale do Ivaí, dos 26 prefeitos, 16 decidiram fechar as portas por pelo menos 30 dias. De acordo com o prefeito de Lunardelli (95 km ao sul de Apucarana), Mário Moribe (PFL), algumas já não vão funcionar no dia 17. Contenção de despesas é a palavra de ordem, classificou o prefeito.
Ele lembrou que além das despesas extras de final de ano e o acúmulo de férias do funcionalismo público municipal no início de 2000, os prefeitos aproveitam a suspensão de atividades para começar a se adaptar à redução do FPM, causada pelos novos índices de população do IBGE. Lunardelli, por exemplo, que era fator 0.8 vai cair para 0.6, explicou Moribe, que pretende economizar, no início do ano, com água, luz, telefone e até com o cafezinho. Pode parecer pouco, mas R$ 200,00 aqui, mais R$ 200,00 ali ajudam, explicou o prefeito. Lunardelli, que tem 5,8 mil habitantes, arrecada cerca de R$ 200 mil por mês. A despesa com funcionalismo, segundo o prefeito, é de R$ 90 mil. Segundo Moribe, salários e fornecedores estão em dia e ele quitará o 13º ainda neste mês.





