São Paulo - Em ano de eleições municipais, prefeituras de várias capitais do país evitam elevar o valor das passagens de ônibus. É o que revelam dados do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), apurado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). De janeiro até setembro deste ano, seis das principais capitais do país não aumentaram as tarifas, que, na média pelo país, subiram apenas 2,48% no período. Nos nove primeiros meses de 2003, a alta havia sido muito maior, atingindo 18,37%.
As tarifas permaneceram congeladas em quatro prefeituras administradas pelo PT - São Paulo, Goiânia, Belo Horizonte e Recife -, uma do PFL - Salvador - e em Brasília, cujo governo é do PMDB, mas não houve eleições. Em Recife, a tarifa média chegou a cair 6,92% em razão de uma promoção que cortou o preço pela metade aos domingos.
O PT conquistou as prefeituras de Belo Horizonte e Recife no primeiro turno e disputa o segundo turno em São Paulo e em Goiânia. Os números do IBGE -pesquisados em nove regiões metropolitanas, além de Goiânia e Brasília - mostram que nas duas mais recentes eleições a situação foi a mesma.
Em 2000, quando aconteceram votações municipais, também seis capitais não haviam reajustado a tarifa até setembro. Em 2002, ano de eleições presidenciais, cinco deixaram de aumentar a passagem até setembro daquele ano. Em São Paulo, a passagem chegou a cair (0,72%). Em 2000 (janeiro-setembro), o reajuste médio foi de 4,72%, de acordo com dados do IPCA. Ficou em 13,58% em 2001, ano que não teve eleições. Foi novamente mais baixo em 2002 -5,98%. Neste ano, a variação das tarifas de ônibus é bem menor do que a inflação acumulada até setembro (5,49%).
Para Eulina Nunes dos Santos, gerente da Coordenação de Índices de Preços do IBGE, o fato de não terem ocorrido aumentos é ''inusitado'' e revela uma situação diferente da que ocorreu em 2003. ''Essa é uma situação um pouco inusitada e talvez esteja relacionada com o momento que o país está vivendo (de eleições).''
Procuradas pela reportagem, as prefeituras negam que haja relação entre a ausência de aumentos e as eleições municipais ou a possibilidade de favorecer o prefeito que tente a reeleição ou o candidato do governo. Dizem que as decisões se basearam em critérios técnicos, apesar de um dos principais componentes de custo das empresas, o óleo diesel, já ter subido neste ano. Definida em junho, a alta do combustível foi de 10,6% nas refinarias. Com a alta no preço do barril do petróleo no mercado externo, é esperada uma nova rodada de reajustes até o fim do ano.
Neste ano, as cidades que corrigiram o valor das passagens foram o Rio (6,67%), Porto Alegre (6,90%), Belém (2,68%), Fortaleza (1,35%) e Curitiba (15,15%). Em São Paulo, cidade onde a prefeita Marta Suplicy tenta a reeleição no segundo turno contra o tucano José Serra, o reajuste das tarifas de ônibus ficou em 21,43% em 2003, tendo forte impacto sobre o aumento médio do ano passado. A capital corresponde a cerca de 40% do IPCA. Também registraram pesados reajustes Salvador (34,55%), Belo Horizonte (26,09%), Brasília (31,58%) e Recife (25%). Só em Belém é que a tarifa não subiu no ano passado. Todos esses reajustes superaram a inflação acumulada do ano passado, que ficou em 8,05% até setembro.

mockup