Prefeituras dão calote nos fornecedores
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 02 de dezembro de 2003
Maria Duarte<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Em crise financeira, prefeituras do Paraná terão que suspender temporariamente os pagamentos aos fornecedores para poder pagar o 13º salário do funcionalismo em dia. Isso porque o dinheiro em caixa não é suficiente para arcar com todas as despesas. Ficarão sem receber principalmente postos de combustível e fornecedores de materiais de construção. Eles devem ser pagos apenas em janeiro ou fevereiro.
Parte dos prefeitos foi obrigada a apertar os cintos e renegociar os pagamentos com os fornecedores para não deixar os servidores sem o 13º. Apesar da possibilidade de os fornecedores se irritarem e exigirem os pagamentos na Justiça, o assessor jurídico da Associação dos Municípios do Paraná (AMP), Júlio Henrichs, explicou que os prefeitos negociaram o adiamento dos pagamentos, explicando o motivo da prorrogação. ''Os fornecedores sabem da situação'', desabafou Júlio Henrichs, em entrevista por telefone à Folha.
Levantamento parcial divulgado ontem pela própria AMP ilustra a situação. Segundo a associação, 68% das 230 prefeituras pesquisadas vão pagar em dia o 13º salário do funcionalismo público. O levantamento foi feito junto a 10 das 18 associações microrregionais de municípios do Estado, e revela que 156 municípios vão pagar o 13º em dia, mas os 74 restantes vão negociar o benefício com os servidores e adiar o pagamento para janeiro. No total, são 399 prefeituras no Paraná.
O presidente da AMP e prefeito de Barracão (90 quilômetros a oeste de Francisco Beltrão), Joarez Lima Henrichs (PFL), está sentindo na pele a dificuldade. Ele deve adiar uma série de pagamentos para poder desembolsar o 13º de seus servidores. ''Basicamente, quem vai pagar a conta do 13º são os credores, os fornecedores dos municípios. Muitas prefeituras foram forçadas a atrasar o pagamento de credores para garantir o 13º'', afirmou.
O presidente da AMP disse ainda que muitos prefeitos estão sacrificando serviços não essenciais entre eles a realização de obras nas vias públicas e reduzindo em até 60% o volume de recursos destinados a cargos comissionados.
Um dos fatores que pesam na crise de caixa dos prefeitos é o Fundo de Participação dos Municípios (FPM). Informações da Confederação Nacional dos Municípios (CMN) mostram que, somente este ano, a queda acumulada do FPM a principal fonte de receita de 80% das prefeituras do Paraná , deve alcançar 17% em relação a 2002. De acordo com a CMN, no Brasil o cenário não é diferente do encontrado no Estado: mais da metade das 5,5 mil prefeituras brasileiras não devem pagar o 13º salário em dia.


