Prefeitos da Associação dos Municípios de Entre Rios (Amerios), entidade que reúne 32 municípios da região de Umuarama (Noroeste do Estado), começaram a demitir pessoal para tentar equilibrar as contas. Com cerca de 500 servidores, Alto Piquiri (42 quilômetros a sudoeste de Umuarama) foi a primeira na região a promover demissões em massa. Dispensou 60 funcionários no início do mês e agora está demitindo mais 40. O prefeito Francisco Ferreira dos Santos (PFL) adiantou que se a arrecadação continuar caindo vai ter que cortar ‘‘mais uns 50’’.
Em Tapira, o prefeito Vagner Batista de Souza (PDT) tenta anular um concurso público feito há três anos para dispensar 94 servidores. Segundo Batista, o concurso foi fraudulento e a maioria do pessoal contratado está ociosa. ‘‘Só não dispensei ainda porque eles entrariam com mandado de segurança e conseguiriam reintegração ao cargo’’, diz.
Em relação a outros municípios, Tapira não tem muitos servidores - são 190 - mas os salários são o dobro da média regional, segundo o prefeito. Em Maria Helena, o prefeito Lourival José Pereira (PPB) reluta em demitir, mas sabe que não terá outra alternativa. ‘‘Vou acabar tendo que dispensar pelo menos 50 dos 280 funcionários’’, prevê.
Os salários estão em dia, mas Pereira ainda não conseguiu pagar o 13º de 96. Em todas as prefeituras da região a reclamação é a mesma. A arrecadação cai todo mês e o dinheiro já não dá nem para manter a folha de pagamento e os serviços essenciais.
Retaliação Hoje, os 32 prefeitos da Amerios se reúnem em Umuarama a portas fechadas para decidir se fecham em protesto contra a prorrogação do Fundo de Estabilização Fiscal (FEF). A maioria dos prefeitos deve votar a favor do fechamento das prefeituras e também definir algum tipo de retaliação contra os deputados federais representantes da região que votaram a favor do FEF. Por isso, a reunião será secreta. Os 32 municípios da região vão perder cerca de R$ 5 milhões por ano.
Muitos prefeitos criticam a diretoria da Amerios por ainda não ter aderido ao protesto. O presidente Antônio Mazzei, prefeito de Cruzeiro do Oeste, é contra, mas decidiu colocar o assunto em votação. O prefeito de São Jorge do Patrocínio, Cláudio Palozi (PSDB) disse ontem que a Associação não tomou nenhuma decisão na reunião de sexta-feira em Alto Piquiri (marcada para discutir o protesto) porque o deputado federal Alexandre Ceranto (PFL) estava presente. ‘‘Seria muito constrangedor para todos’’, revelou Palozi.

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