Prefeituras ameaçam fechar por falta de dinheiro
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segunda-feira, 24 de agosto de 2015
Edson Ferreira<br>Reportagem Local 
Prefeituras paranaenses de pequeno e médio porte podem paralisar o atendimento ao público, por um dia, no começo do mês que vem em protesto pela queda nos repasses do governo federal e cortes de convênios firmados pela União com os municípios. A mobilização está sendo convocada pela Associação dos Municípios do Paraná (AMP) e encontra ressonância em associações regionais.
O contingenciamento federal atinge também as cidades maiores, como Londrina. Ontem, assessores do prefeito Alexandre Kireeff (PSD) finalizavam as correspondências que vão ser enviadas aos três deputados federais da cidade Marcelo Belinati (PP), Luiz Carlos Hauly (PSDB) e Alex Canziani (PTB) e ao líder da bancada paranaense na Câmara, deputado João Arruda (PMDB), além dos senadores, pedindo negociação junto ao governo federal. No documento, Kireeff pediu que fosse incluído o relatório de obras paradas por falta de repasses federais. A reportagem apurou que o prefeito vai a Brasília nos próximos dias percorrer os ministérios.
Apenas para o Teatro Municipal de Londrina, a União deixou de repassar R$ 3 milhões da primeira fase já executada pela empreiteira. A obra está totalmente parada. Para a duplicação da rodovia Mábio Gonçalves Palhano, na zona sul, o governo federal deve R$ 1,6 milhão. A obra está em andamento com recursos municipais.
De acordo com o presidente da AMP, Marcel Micheletto (PSDB), os prefeitos precisam mostrar para a população que a conta não está fechando. "Temos diversas obras paradas nas cidades, mesmo naquelas onde já fizeram a contrapartida. Aí, o povo vê o serviço pela metade e cobra o prefeito, mas como ele vai resolver se o dinheiro contratado não vem?", diz Micheletto. Entre as dificuldades, Micheletto, que também é o prefeito de Assis Chateaubriand (Oeste) destacou a diminuição do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), atraso para execução das emendas já aprovadas no Orçamento da União e aumento na conta de luz.
"Eu sempre tive saldo positivo com a Cosip (Contribuição para Custeio do Serviço de Iluminação Pública), mas agora eu tenho que retirar do caixa do município R$ 80 mil por mês para pagar a conta de energia", reclamou Micheletto.
Questionado sobre a parcela do governo estadual na conta dos municípios, o presidente da AMP, que recentemente se filiou ao PSDB, partido do governador Beto Richa, amenizou o tom. "Realmente, doeu no bolso de todos o ajuste do governo, mas o Estado está retomando os repasses, ou seja, está havendo o retorno aos municípios."
O presidente da Associação dos Municípios do Médio Paranapanema (Amepar) e prefeito de Centenário do Sul (Região Metropolitana de Londrina), Luiz Nicácio (PSC), concorda com a paralisação "para conscientizar a população". "Todo mundo fala sobre as crises federal e estadual, mas quem está sofrendo mesmo é o município. Precisamos da revisão do pacto federativo", disse Nicácio, enquanto fazia as contas sobre a folha de pagamento do funcionalismo. "Caiu a arrecadação do ICMS e isso está complicando também."


