Pelo menos 27 cidades do Paraná abriram vagas para o funcionalismo público municipal. São aproximadamente 5 mil vagas só nos últimos quatro meses. Não há números específicos sobre quantos servidores trabalham nas prefeituras paranaenses, mas segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no Estado são mais de 260 mil funcionários públicos atuando nas três esferas de governo. No Brasil são mais de 5 milhões.
De acordo com o diretor financeiro da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), Joarez Lima Henrichs (DEM), a abertura de concursos e testes seletivos pelas prefeituras já era um fenômeno esperado. Para Henrichs, isso representa uma preocupação real dos administradores muncipais em se adequar às normas estabelecidas pelo Tribunal de Contas.
''Os prefeitos estão apenas fazendo o que a lei obriga. Algumas prefeituras não aumentaram a receita, porém são obrigadas a cumprir as exigências do Tribunal de Contas e do Ministério Público'', explica.
Henrichs acrescenta que essas novas contratações, tanto por concursos quanto por testes seletivos, tem o objetivo claro de esgotar cargos temporários. ''Dentro deste universo de quase cinco mil vagas existe uma perspectiva de que mais oito mil devam ser criadas. Há um estudo que diz que o Paraná tem uma demanda de quase 14 mil vagas para o funcionalismo municipal. Isso tudo porque ainda existem muitos cargos temporários, cargos de comissão, assistentes técnicos, que não são contratados por concurso'', avalia.
Quando perguntado se acredita que este fenômeno tem alguma relação direta com a aproximação do pleito de 2012, Henrichs, disse que não existe essa possibilidade. ''Muitos prefeitos temem ser penalizados pela Lei de Responsabilidade Fiscal. Essa cobrança acaba se refletindo na abertura de novas contratações. São 399 municípios tentando se adequar. Por esse motivo, não acredito que os prefeitos estejam se utilizando dessa ferramenta como manobra eleitoreira'', afirma.
Mesmo diante desse leque de oportunidades para quem pretende ingressar na carreria pública, Henrichs, afirmou que o quadro deve ser avaliado com muita cautela. ''Eu temo que daqui a poucos anos o poder público venha a estar tão saturado, que vai acabar criando uma bolha, que uma hora ou outra tende a explodir. Daqui a pouco começará a sobrar funcionários. Nós prefeitos, não podemos gastar mais do que os 60% previstos em folha. E ai, quem vai se responsabilizar por toda esta demanda?''
Dentre os municípios que abriram editais de contratação os recordistas em número de vagas são Guarapuava, com 1.097, e Londrina, com 978 vagas.
A Prefeitura de Guarapuava informou em nota que o número de vagas ofertadas pelo concurso público foi elaborado a partir da necessidade do Município na contratação em regime efetivo de profissionais técnicos e qualificados em diversas áreas de trabalho, para atender a população.
Já em Londrina, o secretário de Gestão Pública, Marco Cito, afirmou que havia um deficit flagrante de pessoal. O secretário atribuiu essa falha à política de tercerização adotada por administrações passadas. ''Devemos aproveitar os nossos funcionários, sem sofrer com futuras consequências financeiras'', avaliou. O secretário afirmou que o gasto com o processo seletivo obedece às regras do Tribunal de Contas e age em conformidade com a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).

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