Prefeitura vai investigar relação de servidores com construtora
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quarta-feira, 05 de junho de 2013
Edson Ferreira<br>Reportagem Local 
O prefeito de Londrina, Alexandre Kireeff (PSD), determinou a abertura de investigação para apurar a suposta participação de servidores municipais no golpe milionário aplicado na cidade pela construtora Iguaçu do Brasil, conforme denúncia feita pelo Ministério Público (MP) do Paraná. A informação foi confirmada ontem depois que o prefeito recebeu no gabinete um grupo de clientes da construtora, acusada de não pagar pelos terrenos comprados e de atrasar a entrega de residências. O prejuízo estimado é de R$ 60 milhões.
O grupo contratou advogados que reuniram documentos entregues a Kireeff. São alvarás, autorizações de obras e até Habite-se para imóveis inacabados. "Estes documentos indicam que é necessário fazer um esclarecimento interno que deve resultar numa sindicância para saber se houve a participação indevida do poder público neste caso", afirmou o prefeito. Todo o material foi encaminhado à Secretaria de Obras, que vai fazer a análise técnica dos documentos, antes de enviar para a Corregedoria Geral do Município. "A instrução que será passada ao secretário (Sandro Nóbrega) é para que sejam agilizados todos os prazos."
O corregedor geral do município, Alexandre Trannin, disse à FOLHA que "mediante a gravidade do problema, assim que os documentos chegarem, a sindicância será instaurada imediatamente". Após aberta, o prazo máximo para a conclusão do procedimento é 180 dias.
Há um mês o MP denunciou oito pessoas, ligadas à Iguaçu, por estelionato, formação de quadrilha e crime contra relações de consumo na venda de imóveis residenciais. Além dos três crimes, o dono da empresa, o ex-prefeito de Mandaguari Carlos Alberto Campos de Oliveira, ainda responderá por falsidade ideológica, já que a Iguaçu estaria no nome de laranjas. Sete investigados ficaram presos em Londrina e foram liberados após pagamento de fiança estipulada pela Justiça.
De acordo com o comerciante Eduardo Tomasetti, representante dos grupo de consumidores, o crime investigado pelo MP pode ter sido facilitado por servidores da prefeitura. "Tudo indica que os documentos ou foram fraudados pela construtora ou os funcionários de carreira da prefeitura poderiam ter feito algo errado." Ele explicou que todos os papéis foram emitidos entre 2009 - quando a Iguaçu começou a atuar em Londrina - e 2012.
Tomasetti disse que um dos documentos que mais chamaram a atenção foi o Habite-se, documento que deve ser liberado após a conclusão da obra. "Tem construções que nem saíram do chão ainda."
Os clientes da Iguaçu do Brasil também vão se reunir com o promotor de Defesa do Consumidor, Miguel Sogaiar, na manhã de hoje. Conforme o advogado do grupo, André Eduardo Bravo, durante as buscas foram localizadas outras empresas e imóveis que pertenceriam ao grupo Iguaçu, denunciado pelo MP, e que poderiam ser objetos de arresto pela Justiça. "Não sabemos se seria possível a recuperação de todo o prejuízo causado, mas, pelo menos, é uma esperança para os consumidores."


