A Prefeitura de Londrina suspendeu as negociações com o Sindicato dos Servidores Municipais (Sindserv), representante da categoria que está paralisada desde o dia 7, em reivindicação a reposição salarial de 21%, referente as perdas acumuladas entre 2001, 2002 e 2004.
Desde o início da greve, administração e sindicato realizaram apenas uma rodada de negociação. A próxima reunião estava agendada para amanhã. A postura da administração municipal foi comunicada em um informe publicitário publicado domingo nos jornais da cidade. O informe reafirma que a prefeitura não tem condições de oferecer nenhum índice de reposição salarial, que na primeira administração de Nedson Micheleti (PT) os salários foram reajustados em mais de 27%, e que ''a greve coordenada pela diretoria do sindicato chegou ao limite do bom senso''. ''Tomamos essa postura porque todas as informações que tínhamos que dar não só ao sindicato mas à comunidade, nós demos. Tendo em vista a posição radical que o movimento de greve tomou não há clima, não há ambiente propício para negociação'', justificou o secretário de Gestão Pública e presidente da comissão de negociação da prefeitura, Jacks Dias. ''Na nossa avaliação o sindicato está indiferente ao que colocamos e colocando em risco o atendimento a população, com inverdade sobre a avaliação financeira do município'', complementou.
Na avaliação do secretário, a convocação já refletiu em um aumento de escolas em funcionamento. ''Hoje (ontem), 43% das escolas voltaram ao trabalho. Na sexta-feira, eram 35% em funcionamento. As creches, desde sexta-feira estão em 100%.''
Mesmo com a decisão da administração, o sindicato apresentou ontem uma proposta de concessão de um abono emergencial, no valor de R$ 140, que seria pago a todos os servidores entre março e agosto. ''No dia 1 de setembro de 2005, representantes da administração municipal e do Sindserv se reunirão para verificar o comportamento da receita do município. Em se verificando que a receita do município não alcançará o patamar proposto pela Câmara de Vereadores (um crescimento mínimo de 8%), o Sindserv concorda com a devolução dos valores recebidos, em seis parcelas mensais consecutivas nos meses de setembro a janeiro'', diz parte da proposta. ''Caso a receita do município aponte para um crescimento no patamar proposto, a prefeitura e o Sindserv negociarão a reposição salarial dos servidores'', complementa.
Pela proposta do sindicato, a comissão permanente de negociação ainda deverá acompanhar a arrecadação do município. ''Apresentamos uma proposta hoje que atende aos pré-requisitos que eles alegam que não têm condições de prever a arrecadação'', justificou o presidente do Sindserv, Marcelo Urbaneja.
Conforme Dias, a prefeitura também não tem como atender a proposta do abono. ''Não temos como atender. Não difere do que foi apresentado sexta-feira'', afirmou, se referindo à primeira rodada de negociação.
Urbaneja também criticou a suspensão das negociações pela prefeitura. ''A administração só está confirmando o que, na prática, vinha acontecendo desde o primeiro momento. A administração se dizia aberta à negociação mas nunca sentava para conversar'', disse.
O presidente do sindicato também contestou o número de escolas em funcionamento citado pelo secretário. ''Hoje tivemos 61 escolas paralisadas totalmente, oito funcionando parcialmente e nove totalmente. Os postos, estamos mantendo em funcionamento os cinco considerados essenciais, os dos distritos nunca fecharam, e dois ou três postos retornaram parcialmente ao trabalho. Estamos mantendo uma média de adesão de 90%'', calculou. A prefeitura tem cerca de 7 mil servidores.

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