Prefeitura suspende desconto de dias parados em 2006
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quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
Elogios de parte a parte entre membros da administração e representantes do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais (Sindserv), um decreto municipal que suspende os descontos em folha de pagamento de funcionários que aderiram à greve de 106 dias em 2006 e a promessa de discussão salarial já no próximo dia 3 de fevereiro - mês que a categoria tomou por database. A cena rara foi aberta ontem à imprensa no gabinete do prefeito interino de Londrina, José Roque Neto (PTB), durante reunião dele e os secretários Tercílio Turini (Governo) e Denílson Novaes (Fazenda) com diretores do sindicato.
O presidente do Sindserv e candidato derrotado à Prefeitura de Londrina em outubro, Marcelo Urbaneja, disse ter recebido o decreto ''com surpresa''. O pleito era feito sem sucesso ao ex-prefeito Nedson Micheleti (PT) desde o final de 2006. ''Isso sinalizou boa vontade da administração em resolver os problemas. Nós nunca fomos intransigentes.''
Apesar do tom de surpresa, o próprio prefeito admitiu que, internamente, assuntos referentes aos servidores vinham sendo discutidos há dias com secretários, ''várias vezes, e com o Éder (Pimenta), vez ou outra''. Pimenta, diretor administrativo-financeiro do Sindserv e candidato em outubro à Câmara, pelo PSDB, é recém-nomeado, por indicação do Executivo, vice-presidente do Conselho de Administração na Sercomtel.
O decreto de ontem, de número 70, cita parte da briga jurídica travada entre a gestão de Nedson e o Sindserv em relação ao desconto dos dias parados: no caso, foi mencionada liminar da 6 Vara Cível de Londrina conforme a qual os descontos em folha estavam proibidos. À época, a Prefeitura conseguiu derrubar a liminar no Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR), mas novo entendimento em primeira instância, a pedido do Sindserv e não revertida no TJ, determinou que os valores descontados fossem depositados em uma poupança até que o mérito fosse julgado - o que ainda não ocorreu. O sindicato estima que há entre 1,5 mil e 1,7 mil servidores passando pelos descontos; estes, por lei, não podem exceder 1/12 do salário.
Indagado sobre o que o Executivo fará se a ação for julgada contra os grevistas, diante do decreto de ontem, o prefeito interino minimizou: ''Aí entraremos novamente em conversa com a Justiça. Se tivermos de devolver o que está retido em uma conta, ou o contrário, o faremos com tranquilidade''.


