A Procuradoria Jurídica da Prefeitura de Maringá divulgou ontem que desde dezembro do ano passado conseguiu recuperar R$ 229.093,69 de recursos desviados dos cofres públicos. O município tenta liberar na Justiça mais R$ 119 mil depositados em juízo pelo deputado federal José Borba (PMDB) e as duas colheitadeiras compradas pelo ex-prefeito Jairo Gianoto (sem partido), que foram sequestradas no início do ano.
O primeiro a acertar a devolução, no final de dezembro, foi o Clube Atlético Paranaense, que devolveu pouco mais de R$ 70 mil ao município. O deputado Divanir Braz Palma (PST) e o ex-vereador Manoel Batista da Silva Júnior, devolveram R$ 5.731,31 cada um em fevereiro. A Air Liquid do Brasil, devolveu cerca de R$ 34,5 mil em maio, alguns dias antes da deputada Serafina Carrilho (PL), que depositou R$ 16.925,80 a favor do município.
No último dia 5 de junho Ismael Serra, identificado como ex-sócio do ex-prefeito Jairo Gianoto (sem partido), devolveu R$ 16.938,34. Na semana passada a Mitra Arquidiocesana e o filho do ex-prefeito Said Ferreira (sem partido), Alexandre, devolveram R$ 15.381,09 e R$ 63.865,86, respectivamente. ‘‘Todos declararam que não sabiam a origem do dinheiro’’, disse à Folha o procurador da prefeitura, Alaércio Cardoso.
Outra empresa de fora da região, a Condor Factoring, também procurou o município para devolver R$ 240 mil. Os representantes da Condor estiveram em Maringá no início do ano, mas ao saberem que existia outro cheque desviado em nome da empresa, de R$ 130 mil, desistiram. Todos os valores, lembra Cardoso, são corrigidos pelo IGP-M antes de serem devolvidos.
Ele credita o sucesso do retorno do dinheiro ao Ministério Público Estadual (MP). ‘‘A promotoria tem agido de forma a incentivar que os beneficiados devolvam o que receberam’’, disse. Cardoso não sabe no entanto se os 130 nomes citados pelo promotor José Aparecido da Cruz, como beneficiados com dinheiro desviado, podem estornar o que receberam. ‘‘Nossa expectativa é que as devoluções continuem acontecendo’’, afirmou.
No total, apenas nas duas últimas administrações o Tribunal de Contas (TC), identificou desvios que passam de R$ 100 milhões. O ex-secretário de Fazenda de Maringá, preso desde dezembro, é o principal acusado de comandar o esquema de desvio. Além dele o Ministério Público já denunciou os servidores Jorge Aparecido Sossai, Rosimeire Castelhano Barbosa e Waldemir Ronaldo Corrêa, além do ex-prefeito Jairo Gianoto.

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