Prefeitura quer pôr no ar Canal Educativo
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quarta-feira, 05 de julho de 2006
Janaina Garcia<br> Reportagem Local 
Até então inativo, o Canal Educativo Municipal começou a ganhar forma, esta semana, com a divulgação de edital para a aquisição de quase R$ 80 mil em equipamentos que possibilitem a implantação do sistema em Londrina.
O edital da licitação - a ser executada pela modalidade de pregão eletrônico - estipula o teto de gastos de R$ 77,9 mil e o próximo dia 21 como prazo final de recebimento das propostas. A sessão de disputa de preços inicia-se quatro dias depois, às 9h30.
Ao todo são cinco lotes de equipamentos, dos quais o mais caro, avaliado em R$ 33,1 mil, compreende desde câmeras e tripés profissionais a kits de iluminação externa e de estúdio. Outro lote, avaliado ao todo em R$ 25 mil, lista, por exemplo, cinco ilhas de edição de vídeo - todas de ponta - já com as respectivas licenças para os sistemas operacionais Macintosh. Um lote mais modesto, orçado em R$ 11,8 mil, elenca, entre outros itens, dispositivos como três microfones profissionais de R$ 900 cada um, além de uma mesa de áudio com oito canais, avaliada em R$ 1,9 mil.
A Folha procurou a secretária municipal de Educação, Carmen Baccaro Sposti, mas até ontem à noite ela não foi localizada para comentar a proposta. Apesar de lançado o edital pela pasta, o secretário municipal de Gestão Pública, Jacks Dias, alegou não ter quaisquer informações sobre o assunto. Questionado sobre a viabilidade de contratar pessoal para viabilizar o Canal Educativo, entretanto, Dias garantiu que considera a hipótese ''difícil''.
O chefe do Núcleo de Comunicação (N.Com) da Prefeitura, Ricardo da Guia Rosa, explicou que o projeto pode ser implantado ainda este ano, sem data definida, como forma de ativar o canal 100 da TV paga concedido ao Executivo na gestão de Luiz Eduardo Cheida (PMDB, então no PT). Conforme o jornalista, a licitação aberta visa à substituição de equipamentos já adquiridos em gestões passadas, os quais já estariam ''obsoletos''.
''Queremos firmar parcerias com TVs de conteúdo educativo porque já existe esse canal. Será uma forma de a Prefeitura, via Educação, deter um instrumento educacional pedagógico que com certeza muitas outras prefeituras gostariam de ter'', afirmou.
Segundo o chefe do N.Com, dificilmente será necessária contratação de pessoal para colocar o Canal na ativa. Além dos convênios com emissoras educativas, diz, podem ser firmadas parcerias com outras secretarias municipais para engrossar o conteúdo. Uma delas é a pasta da Cultura. Se para as escolas o Canal será instrumento pedagógico, para o telespectador comum o canal terá alguma validade apenas a quem tiver TV por assinatura.
Legislativo Se na Prefeitura a instalação de um Canal Municipal já começa a sair do papel, na Câmara de Vereadores a idéia parece ter esmorecido. Em entrevista à Folha, em fevereiro passado, o presidente da Casa, Orlando Bonilha (PL), confirmou o interesse em adotar o sonho de consumo dos edis há pelo menos 10 anos. À época, a questão foi relacionada pelo parlamentar ante a aquisição de R$ 330 mil em aparelhagem nova e também diante da existência, dentro da Assembléia Legislativa do Paraná, de estrutura semelhante.
Ontem o diretor da Câmara, Rubens Canizares, negou que as declarações do presidente já tenham começado a ser postas em prática. ''Primeiramente, precisaríamos de uma concessão, algo que não temos. Além do mais, uma TV aqui demandaria equipe de profissionais para dar conta - da mesma forma, o Legislativo não dispõe atualmente dessa mão-de-obra'', finalizou.


