A Prefeitura de Londrina encaminha à Câmara de Vereadores, amanhã, um projeto de lei que estabelece a doação de uma área avaliada em R$ 1,2 milhão à empresa Módena Alimentos, do grupo Moinho Globo. O terreno, de aproximadamente 250 mil metros quadrados, fica localizado atrás da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), próximo à linha férrea e à estrada dos Pioneiros (Zona Leste). Se o Legislativo aprovar a doação, será a segunda maior da administração do prefeito Nedson Micheleti (PT) - a maior, em maio passado, beneficiou a Couroada Representações Ltda. com uma área de 363 mil metros quadrados, orçada em R$ 1,7 milhão.
De acordo com o gerente do Instituto de Desenvolvimento de Londrina (Idel), Mauro Viecili, a empresa com sede em Sertanópolis (40 km ao norte de Londrina) teria colocado como condição para se instalar na cidade a proximidade da ferrovia. O argumento é o escoamento da produção. Segundo Viecili, a previsão investimento é de R$ 16 milhões e geração de 350 a 500 empregos.
''Como o volume de produção da empresa é alto, com vistas também à exportação, foi necessária uma área grande'', justificou. Conforme Viecili, a expectativa é que, uma vez aprovada a doação, as obras de instalação tenham início em dezembro deste ano. Questionado sobre o motivo de a Prefeitura optar pela doação do terreno (fruto de desapropriação), em vez de cedê-lo em permissão de direito real de uso - como orienta o Tribunal de Contas do Paraná (TC-PR) -, Viecili argumentou com o investimento previsto e com a eventual necessidade de financiamento para o negócio. ''Certamente vão depender do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).'' A referência é em função de o banco exigir, entre as condições para cessão de crédito, que o empresário tenha área própria para estabelecer o empreendimento.
A unidade da Módena em Londrina deverá se voltar à moagem de trigo e à produção de misturas alimentícias prontas. No entendimento do representante do Idel, a localização do terreno a ser doado é estratégica não apenas pelas possibilidades de escoamento, como também pela proximidade com a UTFR, onde o carro-chefe, por enquanto, é o recém-criado curso de Tecnologia em Alimentos. ''Além da arrecadação de impostos, a administração visa também ao desenvolvimento de tecnologia na cidade, pois o laboratório da empresa interessa muito nessa proximidade com a universidade.''
O presidente do Moinho Globo, Mário Vitorelli, preferiu não comentar a transação até que a Câmara aprove o projeto do Executivo. Entretanto, o empresário destacou que a sede em Sertanópolis não será transferida e que a unidade londrinense atenderá os mercados interno e externo.
Já a Couroada Representações, que recebeu o terreno de R$ 1,7 milhão sob o compromisso de investir R$ 25 milhões e gerar 400 empregos, ainda não iniciou as obras. ''Eles começam semana que vem. Estão em fase de licenciamento junto ao IAP (Instituto Ambiental do Paraná) e à Suderhsa (Superintendência de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental); é um período normal'', minimizou Viecili. ''Mas esperamos que até dezembro estejam operando.''

mockup